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Inovação colaborativa em prol da Transição Energética

Inovação colaborativa em prol da Transição Energética

Idealizadora do Free Electrons, maior programa de inovação aberta do mundo no setor de energia, a Beta-i é uma consultoria global de inovação colaborativa. Chegou ao Brasil em meados de 2019 e trouxe toda a experiência alavancada pelo histórico de 10 anos no reconhecido ecossistema de startups e inovação de Lisboa.

Convidamos, Renata Ramalhosa, CEO e co-founder da Beta-i Brasil, para uma entrevista exclusiva para compartilhar sua visão e experiência sobre inovação aberta aplicada ao setor de energia, especialmente em relação à transição energética. Nossa especialista destaca também desafios e oportunidades para fazer o setor avançar com a inovação no Brasil.

Sabemos que a Beta-i é referência no mercado quando falamos em inovação colaborativa. Mas afinal, como ela é aplicada ao setor de energia?

“Conceitualmente falando, inovação colaborativa é um trabalho conjunto entre 2 ou mais organizações, podendo elas ser do setor privado ou do setor público, para resolver desafios de mercado, desafios de algum negócio ou projeto específico. E esta colaboração pode acontecer de diversas formas, podendo ser a conexão com startups, universidades, institutos e centros de P&D+I e chegando a envolver parceiros estratégicos, como clientes e fornecedores e até mesmo concorrentes.” destaca Renata Ramalhosa, CEO na Beta-i Brasil.

Dentro do setor de energia, a Beta-i destaca- se por 2 programas de inovação aberta, em formato de consórcio, que agrupa empresas do mesmo setor para alavancar o desenvolvimento tecnológico e a cultura da inovação.

Um deles é o programa Free Electrons, sendo considerado o maior programa de inovação aberta do setor de energia no mundo que conta com a participação de 10 empresas líderes atuantes em diferentes países como Dubai, Japão, China, Portugal, Alemanha, Singapura, Estados Unidos, Brasil, dentre outros. “As empresas compartilham das mesmas dores; dos mesmos desafios de mercado, mas que trazem consigo algumas especificidades culturais, regionais e regulatórias. Através do compartilhamento de experiência e troca de informações, juntas elas colaboram entre si para fomentar o desenvolvimento de soluções inovadoras para impulsionar o crescimento do setor de energia no mundo” ressalta. Ainda, a CEO na Beta-i Brasil, Renata Ramalhosa, complementa que programas como o Free Electrons, por serem complexos, exigem uma governança consolidada e transparente e códigos de conduta bem estruturados.

O outro programa que merece destaque é o Starter, um programa de inovação aberta do Grupo EDP, com presença em Portugal, Espanha, Estados Unidos e Brasil que pretende inovar entre as empresas do grupo atuantes ao redor do mundo. “Neste caso, o Grupo EDP já convidou empresas parceiras, inclusive de outros países, para colaborar no desenvolvimento de soluções conjuntas a partir de um determinado desafio” complementa Renata.

Demandas do setor de energia com inovação e colaboração

Um dos grandes diferenciais da Beta-i é fomentar o desenvolvimento de soluções inovadoras globais de forma colaborativa. E para isso, é necessário ouvir e interagir com o maior número de atores da cadeia para se poder mapear e validar desafios e oportunidades. Um exemplo disso é a campanha Collab Trends Edição Energia, lançada neste ano (2021), que visa saber como o setor pensa e planeja inovação, quais são os principais questionamentos e desafios das empresas.

Collab Trends Edição Energia é uma pesquisa aprofundada que vem sendo conduzida entre mais de 20 empresas líderes do setor de energia no Brasil e que coloca a inovação como ferramenta estratégica de desenvolvimento de novos negócios, de apoio à cultura, empreendedorismo e alavancagem do setor como um todo.

Quando se avalia os resultados da COP26 e os debates em torno da descarbonização fomentados a partir das políticas climáticas globais é difícil não pensar em colaboração para o atingimento das metas impostas. “É preciso pensar como ajudaremos países, especialmente aqueles de matriz energética de base fóssil, a descarbonizar. A inovação colaborativa surge para destravar esse desafio. Conecta organizações em prol de um propósito comum a favor da transição energética global” ressalta a CEO na Beta-i Brasil.

Atualmente, uma das principais oportunidades para se impulsionar a inovação aberta no setor de energia brasileiro pode estar na revisão da regulamentação da ANEEL que promete estender os benefícios de P&D à inovação tecnológica que envolve não somente a indústria, mas especialmente os ecossistemas de startups. “Na minha visão, a regulamentação poderá evoluir mais quando ela estiver operando de acordo com as demandas de mercado” salienta Renata.

O setor regulatório pode ser visto como um grande entrave para o impulsionamento de novas soluções inovadoras para o mercado de energia. Ao mesmo tempo que regulamentações modernas e menos burocráticas podem ser a grande chave para destravar o desenvolvimento do setor de energia brasileiro.

“Fazendo um comparativo com o mercado financeiro, observou-se que a liberalização do mercado por parte dos órgãos reguladores permitiu que empresas tradicionais inovassem mais desejando estarem cada vez mais próximas dos ecossistemas de inovação e consequentemente, incentivando o desenvolvimento de mais startups, que por sua vez, vêm dominando grande parcela do mercado, sendo muitas delas startups unicórnio (startups que possuem valor de mercado superior a bilhão de dólares).” comenta Renata.

Assim, acredita-se que para que o setor de energia brasileiro venha a ter sua primeira startup unicórnio é preciso disrupção tecnológica aliada à liberalização do mercado com regulações acessíveis, ágeis e menos burocráticas; e muita colaboração. “Para a Beta-i, Inovação é sempre feita em parceria, com colaboração” destaca a especialista convidada, Renata Ramalhosa.

Sobre Renata Ramalhosa:

No Brasil desde Julho de 2015, Renata Ramalhosa é a CEO e Co-fundadora da Beta-i Brasil, um grupo Europeu na área de inovação colaborativa com programas de inovação aberta e de aceleração corporativa. Renata faz também parte da comissão de inovação do IBGC – Instituto Brasileiro de Governança Corporativo e conselheira em empresas e start-ups.
A Renata veio para o Brasil como parte do serviço diplomático Britânico como Cônsul-Adjunta Britânica em São Paulo, Diretora para Comércio e Investimentos do Reino Unido para o Brasil e, desde 2017, passou a ocupar a posição de Diretora de Investimento para América Latina.
Renata começou sua carreira no mercado privado, trabalhando em setores ambientais de empresas como a Shell e Autosil, além de também prestar serviços de consultoria nas áreas de gestão ambiental.
Renata é formada em química analítica pela Universidade de Aveiro e bacharel em engenharia ambiental pela Universidade de Greenwich. Também possui mestrado em gestão ambiental e economia pela Imperial College London. Tem também vários cursos em gestão e liderança na Europa e América Latina; Renata foi recentemente condecorada pela Sua Majestade a Rainha Britânica com a Order of the British Empire (OBE) por sugestão do Her Majesty’s Government (HMG).
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