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Agronegócio brasileiro: inovação por natureza

Agronegócio brasileiro: inovação por natureza

Claire Meignié, engenheira agrônoma de formação e atual Diretora de Agronegócio na Business France Brasil é a especialista convidada do mês de julho/2021 do NRGhub e traz sua visão sobre o agronegócio brasileiro e a inovação.

O agronegócio é uma das principais atividades econômicas no Brasil (senão A principal). Tendo batido um crescimento recorde em 2020, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a participação do setor no PIB total brasileiro pode ultrapassar os 30% em 2021.

O Brasil tem grande potencial de se tornar, num futuro breve, o maior fornecedor de alimentos do mundo. Para esse progresso no setor acontecer não se pode deixar de falar da importância de se incentivar a inovação. Sobre isso, a especialista Claire Meignié opina dizendo que “a inovação no agro já é algo intrínseco, pois o agro brasileiro nasceu a partir de inovações sobre práticas agrícolas. Há uns 40 ou 50 anos atrás, o incentivo à pesquisa baseada em conhecimentos adquiridos ao redor do mundo foi um fator chave para o desenvolvimento do setor no Brasil”.

A diretora de agronegócio na Business France Brasil conta que no início, as práticas agrícolas em solo brasileiro ocorriam muito na base da experimentação. Adquirida experiência, a evolução do setor veio a partir da integração dos conhecimentos desenvolvidos e da tecnologia, transformando a agricultura tropical, de certa forma artesanal, em uma agricultura de larga escala.

O agronegócio brasileiro tem evoluído muito não apenas do ponto de vista tecnológico, mas também, do ponto de vista sustentável. Segundo a CNA, “o Agro brasileiro reduziu drasticamente o preço da alimentação, melhorando a saúde e qualidade de vida da população urbana, liberando seu poder de compra para bens produzidos pela indústria e pelo setor de serviços.”

A Era da Conectividade também vem invadindo o agronegócio, visando melhorar gestão, transparência e confiabilidade dos dados e aprimorar a produtividade e sustentabilidade do setor. E com isso, ecossistemas de inovação ganham expressividade. Segundo um mapeamento realizado entre Embrapa, SP Ventures e Homo Ludens, o Brasil possui mais de 1500 startups de tecnologia atuantes no agro e apesar de recente, de 2019 até hoje, esse número apresentou um expressivo crescimento de aproximadamente 40%. Dentre as startups mapeadas até o momento, a maioria vem atuando no desenvolvimento de alimentos inovadores. A segunda categoria que vem liderando o ranking das startups são sistemas de gestão da propriedade rural. O estudo completo pode ser encontrado através do link: https://radaragtech.com.br/.

Para as startups AgTechs, uma das principais barreiras enfrentadas era a própria falta da cultura de inovação do mercado e de estruturas que fomentassem essa cultura. Atualmente, pode-se dizer que essa barreira já foi vencida com o desenvolvimento de um próspero ecossistema de inovação ligado ao agro brasileiro espalhado pelo Paraná, São Paulo, Mato Grosso e outros estados. Uma outra barreira, uma pouco mais atual, é a influência das novas tecnologias no setor. “O agricultor via muita dificuldade e até desconfiava de modelos de negócio muito tecnológicos e digitais. Mas a pandemia fez com que a digitalização ocorresse de forma forçada e fosse impulsionada de forma expressiva no agronegócio, favorecendo o desenvolvimento das Agtechs.” destaca Claire.

Entusiasta do agronegócio brasileiro, Claire Meignié valoriza o potencial inovador que o mercado interno apresenta para superar desafios e barreiras mercadológicas. E junto a isso, a especialista no assunto reforça que as cooperações internacionais podem acelerar a inovação do agro brasileiro a partir de uma visão mais holística e integrada. “A exemplo da França, as estratégias de inovação colocam os concorrentes como cooperadores a partir de objetivos e metas comuns, que visam favorecer e fortalecer o desenvolvimento do setor”, salienta a diretora de agronegócio na Business France Brasil.

Quando falamos de ESG, mais precisamente de ações socioambientais vinculadas ao agronegócio brasileiro podem ser destacados alguns programas de incentivo à agricultura familiar, práticas de plantio direto e manejo integrado, uso de bioinsumos, entre outros. “O agronegócio brasileiro praticava a sustentabilidade mesmo sem perceber e acabava não tornando evidente essas ações. Muito recentemente, o setor começou a se posicionar mais fortemente no assunto colocando em destaque a sustentabilidade e assumindo novos compromissos” reforça Claire.

Um setor que vem crescendo de forma expressiva no mundo, o agronegócio brasileiro já alimenta mais de 800 milhões de pessoas. Segundo a CNA, a agricultura nacional atualmente é adaptada às regiões tropicais e os produtores rurais estão cada vez mais conscientes de suas responsabilidades ambientais e tornam o agro brasileiro mais produtivo, moderno e sustentável.

Sobre Claire Meignié:

Franco-brasileira e residente no Brasil há 15 anos, Claire ingressou no escritório da Business France Brasil, a agência francesa de desenvolvimento internacional da economia francesa, em 2013 como assessora de exportação e depois tornou-se Diretora da divisão Agrotech. Anteriormente, trabalhou na Embaixada de França em Brasília como assistente do Embaixador da França no Brasil, e na trading Louis Dreyfus, como promotora de projeto de software de gestão varietal de cana de açúcar. É formada em Engenheira Agrônoma com duplo diploma da ISARA-Lyon (França) e da ESALQ-USP (Brasil).

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