Category: Transição Energética

O que muda depois da COP26?

O que muda depois da COP26?

Muitas expectativas foram geradas em torno da COP26. No entanto, apesar de alguns avanços relacionados à mitigação das mudanças climáticas, os resultados ficaram abaixo do que se esperava.

Para que você possa acompanhar um pouco do que aconteceu na COP26, em Glasgow, entre os dias 01 a 12 de novembro, conversamos com a Dra. Maria João Rolim, PhD em Direito de Energia e especialista em questões regulatórias da área e no setor de renováveis há mais de 20 anos.

A 26ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas reuniu em torno de 200 países com destaque para a presença (ou poderíamos dizer: retorno) dos Estados Unidos no debate, especialmente pela liderança assumida no que toca o combate à redução das emissões de metano. “Um dos resultados mais positivos foi a discussão em torno da justiça climática, destacando um engajamento maior entre os países presentes.” aponta Dra Maria João Rolim.

“Outros dois pontos extremamente relevantes foram a regulamentação do mercado internacional de carbono, artigo 6º do Acordo de Paris e o compromisso em reverter o desmatamento até 2030”, acrescenta a especialista e PhD em Direito de Energia.

Apesar dos avanços positivos, os compromissos firmados não são suficientes. Segundo António Guterres, secretário-geral da ONU existe uma “necessidade de acelerar as ações climáticas para manter viva a meta de limitar o aquecimento global em até 1.5 graus Celsius.” Para Dra. Maria João Rolim, é necessário ter mais ambição para acelerar o passo contra o aquecimento global.

Quando são mencionadas as metas de descarbonização, é defendida a diversificação das fontes energéticas na matriz global. O compromisso de redução gradual do uso de carvão traz um novo olhar para estas metas, que inicialmente traziam a perspectiva de eliminar esta fonte energética da matriz global. “É interessante destacar que o mercado europeu aposta no hidrogênio verde como a fonte energética facilitadora da transição por ser na realidade uma bateria de energia.”, comenta a especialista.

Em relação ao Brasil, apesar da imagem negativa ocasionada pelo desmatamento, o governo federal mostrou comprometimento em reverter o cenário. “E o que se destaca foi a participação ativa da iniciativa privada nesta causa.” destaca Dra Maria João Rolim.

Nosso dever de casa pós-COP26 deve ser internalizar as políticas públicas globais e traçar ações que viabilizem, por exemplo, o mercado internacional de carbono. Mais do que estabelecer metas ambiciosas neste momento, o Brasil deve ter um plano de ação que possibilite o cumprimento das metas já estabelecidas e acelere o passo para mais oportunidades frente à transição energética.

Sobre Dra. Maria João Rolim:

Atua na área de Direito da Energia há mais de 20 anos, sendo reconhecida por sua expertise em questões regulatórias da área e de energias renováveis. É Presidente da Comissão Especial de Direito da Energia da OAB/SP (2019/2021) e Presidente da Comissão de Direito da Regulação Econômica da OAB/MG (2019/2021).
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Inovação colaborativa em prol da Transição Energética

Inovação colaborativa em prol da Transição Energética

Idealizadora do Free Electrons, maior programa de inovação aberta do mundo no setor de energia, a Beta-i é uma consultoria global de inovação colaborativa. Chegou ao Brasil em meados de 2019 e trouxe toda a experiência alavancada pelo histórico de 10 anos no reconhecido ecossistema de startups e inovação de Lisboa.

Convidamos, Renata Ramalhosa, CEO e co-founder da Beta-i Brasil, para uma entrevista exclusiva para compartilhar sua visão e experiência sobre inovação aberta aplicada ao setor de energia, especialmente em relação à transição energética. Nossa especialista destaca também desafios e oportunidades para fazer o setor avançar com a inovação no Brasil.

Sabemos que a Beta-i é referência no mercado quando falamos em inovação colaborativa. Mas afinal, como ela é aplicada ao setor de energia?

“Conceitualmente falando, inovação colaborativa é um trabalho conjunto entre 2 ou mais organizações, podendo elas ser do setor privado ou do setor público, para resolver desafios de mercado, desafios de algum negócio ou projeto específico. E esta colaboração pode acontecer de diversas formas, podendo ser a conexão com startups, universidades, institutos e centros de P&D+I e chegando a envolver parceiros estratégicos, como clientes e fornecedores e até mesmo concorrentes.” destaca Renata Ramalhosa, CEO na Beta-i Brasil.

Dentro do setor de energia, a Beta-i destaca- se por 2 programas de inovação aberta, em formato de consórcio, que agrupa empresas do mesmo setor para alavancar o desenvolvimento tecnológico e a cultura da inovação.

Um deles é o programa Free Electrons, sendo considerado o maior programa de inovação aberta do setor de energia no mundo que conta com a participação de 10 empresas líderes atuantes em diferentes países como Dubai, Japão, China, Portugal, Alemanha, Singapura, Estados Unidos, Brasil, dentre outros. “As empresas compartilham das mesmas dores; dos mesmos desafios de mercado, mas que trazem consigo algumas especificidades culturais, regionais e regulatórias. Através do compartilhamento de experiência e troca de informações, juntas elas colaboram entre si para fomentar o desenvolvimento de soluções inovadoras para impulsionar o crescimento do setor de energia no mundo” ressalta. Ainda, a CEO na Beta-i Brasil, Renata Ramalhosa, complementa que programas como o Free Electrons, por serem complexos, exigem uma governança consolidada e transparente e códigos de conduta bem estruturados.

O outro programa que merece destaque é o Starter, um programa de inovação aberta do Grupo EDP, com presença em Portugal, Espanha, Estados Unidos e Brasil que pretende inovar entre as empresas do grupo atuantes ao redor do mundo. “Neste caso, o Grupo EDP já convidou empresas parceiras, inclusive de outros países, para colaborar no desenvolvimento de soluções conjuntas a partir de um determinado desafio” complementa Renata.

Demandas do setor de energia com inovação e colaboração

Um dos grandes diferenciais da Beta-i é fomentar o desenvolvimento de soluções inovadoras globais de forma colaborativa. E para isso, é necessário ouvir e interagir com o maior número de atores da cadeia para se poder mapear e validar desafios e oportunidades. Um exemplo disso é a campanha Collab Trends Edição Energia, lançada neste ano (2021), que visa saber como o setor pensa e planeja inovação, quais são os principais questionamentos e desafios das empresas.

Collab Trends Edição Energia é uma pesquisa aprofundada que vem sendo conduzida entre mais de 20 empresas líderes do setor de energia no Brasil e que coloca a inovação como ferramenta estratégica de desenvolvimento de novos negócios, de apoio à cultura, empreendedorismo e alavancagem do setor como um todo.

Quando se avalia os resultados da COP26 e os debates em torno da descarbonização fomentados a partir das políticas climáticas globais é difícil não pensar em colaboração para o atingimento das metas impostas. “É preciso pensar como ajudaremos países, especialmente aqueles de matriz energética de base fóssil, a descarbonizar. A inovação colaborativa surge para destravar esse desafio. Conecta organizações em prol de um propósito comum a favor da transição energética global” ressalta a CEO na Beta-i Brasil.

Atualmente, uma das principais oportunidades para se impulsionar a inovação aberta no setor de energia brasileiro pode estar na revisão da regulamentação da ANEEL que promete estender os benefícios de P&D à inovação tecnológica que envolve não somente a indústria, mas especialmente os ecossistemas de startups. “Na minha visão, a regulamentação poderá evoluir mais quando ela estiver operando de acordo com as demandas de mercado” salienta Renata.

O setor regulatório pode ser visto como um grande entrave para o impulsionamento de novas soluções inovadoras para o mercado de energia. Ao mesmo tempo que regulamentações modernas e menos burocráticas podem ser a grande chave para destravar o desenvolvimento do setor de energia brasileiro.

“Fazendo um comparativo com o mercado financeiro, observou-se que a liberalização do mercado por parte dos órgãos reguladores permitiu que empresas tradicionais inovassem mais desejando estarem cada vez mais próximas dos ecossistemas de inovação e consequentemente, incentivando o desenvolvimento de mais startups, que por sua vez, vêm dominando grande parcela do mercado, sendo muitas delas startups unicórnio (startups que possuem valor de mercado superior a bilhão de dólares).” comenta Renata.

Assim, acredita-se que para que o setor de energia brasileiro venha a ter sua primeira startup unicórnio é preciso disrupção tecnológica aliada à liberalização do mercado com regulações acessíveis, ágeis e menos burocráticas; e muita colaboração. “Para a Beta-i, Inovação é sempre feita em parceria, com colaboração” destaca a especialista convidada, Renata Ramalhosa.

Sobre Renata Ramalhosa:

No Brasil desde Julho de 2015, Renata Ramalhosa é a CEO e Co-fundadora da Beta-i Brasil, um grupo Europeu na área de inovação colaborativa com programas de inovação aberta e de aceleração corporativa. Renata faz também parte da comissão de inovação do IBGC – Instituto Brasileiro de Governança Corporativo e conselheira em empresas e start-ups.
A Renata veio para o Brasil como parte do serviço diplomático Britânico como Cônsul-Adjunta Britânica em São Paulo, Diretora para Comércio e Investimentos do Reino Unido para o Brasil e, desde 2017, passou a ocupar a posição de Diretora de Investimento para América Latina.
Renata começou sua carreira no mercado privado, trabalhando em setores ambientais de empresas como a Shell e Autosil, além de também prestar serviços de consultoria nas áreas de gestão ambiental.
Renata é formada em química analítica pela Universidade de Aveiro e bacharel em engenharia ambiental pela Universidade de Greenwich. Também possui mestrado em gestão ambiental e economia pela Imperial College London. Tem também vários cursos em gestão e liderança na Europa e América Latina; Renata foi recentemente condecorada pela Sua Majestade a Rainha Britânica com a Order of the British Empire (OBE) por sugestão do Her Majesty’s Government (HMG).
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Inovação e Economia Circular

Conexão da pesquisa científica e inovação tecnológica com os conceitos da economia circular

Mônica Tejo atual diretora do INSA – Instituto Nacional do Semiárido, Unidade de Pesquisa do MCTI é a especialista convidada do mês de agosto/2021 para a newsletter do NRGhub e vem compartilhar sua visão sobre a conexão da pesquisa científica e inovação tecnológica com os conceitos da economia circular.

Em meio a um turbilhão de informações que vivemos, novidades em nomes e terminologias, necessitamos envolver a sustentabilidade em cada ação realizada. Hoje em dia, fazer algo diferente do convencional é dito como inovar, e parece que virou moda dizer que é inovador.

Diante de tantos conceitos atuais, convido você a pensar em inovação como um processo que se inicia na resolução de um problema real, este problema pode existir em qualquer área, ou tema. A partir da identificação do problema, investimos tempo e conhecimento para pensar em resolvê-lo e assim, desenvolvemos a tecnologia em si, podendo ser protegida nesta etapa, gerando, por fim o valor, que pode ser social (inovação social) ou gerar nota fiscal (inovação tecnológica). Neste processo entra o conhecimento, a pesquisa, o desenvolvimento, que vão caminhando nunca escala de maturidade que vai de 1 a 9, chamada de TRL.

A pesquisa científica se conecta como sendo a base para geração da inovação e, se pensarmos um pouco, tudo é circular. E por falar em circular, um tema muito importante que devemos ter clareza sobre, é a economia circular (EC), que se caracteriza como uma economia restaurativa e regenerativa segundo a Ellen Macarthur Foundation (2015) e está baseada em 3 princípios que são os de “preservar e aprimorar o capital natural controlando estoques finitos e equilibrando os fluxos de recursos renováveis; otimizar o rendimento de recursos fazendo circular produtos, componentes e materiais no mais alto nível de utilidade o tempo todo, tanto no ciclo técnico quanto no biológico e estimular a efetividade do sistema revelando e excluindo as externalidades negativas desde o princípio”.

A Economia Circular (EC) pode ser vista como uma alternativa para redefinir a noção de crescimento, proporcionando benefícios para toda a sociedade. Assim, saímos do modelo de extrair, transformar e descartar e evoluímos para o circular, mas não somente neste contexto, mas também em elementos da pesquisa cientifica, onde o problema, citado lá nas etapas do processo de inovação, está relacionado a como manter a sustentabilidade do início ao fim.

Alinhado a este conceito, temos também a tendência para o alinhamento na gestão de projetos que apresentam indicadores e resultados ligados ao ambiental (Environmental), social (Social) e à governança (Governance), ESG, um movimento que vem repercutindo em todos os setores, com oportunidades de investimentos crescente nas mais diversas áreas.

Por outro lado, quando se realiza P&D, poucos pesquisadores estão familiarizados com a ideia de se pensar no modelo de negócio. Chega a ser uma afronta em algumas “castas” científicas. Assim, para atingir a inovação e avançar no TRL é preciso planejamento, visão estratégica e modelagem na pesquisa. Temos várias oportunidades diante de investimentos diversos disponíveis e cabe a nós, pesquisadores disruptivos, mostrar que dá certo.

A economia circular e o setor energético

A economia circular pode se relacionar com o setor energético por meio da diversificação da matriz energética no Brasil. Atualmente, as fontes de energias mais utilizadas no país ainda são de origem hidrelétrica e fontes fósseis, no entanto, há um grande potencial e movimento para utilização de energias limpas, como a energia fotovoltaica, eólica, biocombustíveis, biomassa e hidrogênio verde. Tais alternativas, podem ser fortemente influenciadas no contexto da economia circular. Além disso, a interação entre o setor produtivo, ICTs, IES e o poder público provoca a colaboração do ecossistema de energia, associando o desenvolvimento econômico ao uso consciente e responsável dos recursos naturais.

Diante de toda tendência e oportunidades relacionadas a EC e ESG como citado, em breve o INSA sediará o Centro de Tecnologia em Energias Renováveis do Semiárido promovendo ações relacionadas a PD&I e estimulando a utilização das práticas baseadas na economia circular, com oportunidades que incentive o desenvolvimento de Tecnologias Aplicadas às energias renováveis no Semiárido brasileiro.

Sobre Monica Tejo:

Atual diretora do INSA – Instituto Nacional do Semiárido, Unidade de Pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) com sede em Campina Grande-PB, com atuação em todo o Semiárido brasileiro.  É Professora Associada no Curso de Graduação em Engenharia de Alimentos da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG/Pombal) e Doutora em Engenharia de Processos. Em 2017, quando coordenava o Projeto “Transformando Vidas na Terra de Celso Furtado”, do Programa de Estudos e Ações para o Semiárido (PEASA/UFCG) recebeu o Prêmio Celso Furtado de Desenvolvimento Regional na categoria inovação e sustentabilidade.

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A Bioeconomia e o Brasil: Oportunidades e Desafios

A Bioeconomia e o Brasil: Oportunidades e Desafios

Associação Brasileira de Bioinivação concede entrevista exclusiva ao NRGHub e fala sobre políticas públicas, inovação e muito mais. 

Em entrevista exclusiva ao NRGHub, Thiago Falda, atual presidente da ABBI compartilha sua visão sobre o cenário atual da bioeconomia brasileira, aponta oportunidades e desafios e destaca como o Brasil pode se tornar uma potência global neste assunto.

A bioeconomia tem sido considerada um pilar estratégico para o desenvolvimento econômico em diversos países (especialmente, os Europeus), podendo impulsioanr a economia na ordem dos bilhões. Para Thiago Falda, presidente da ABBI, o Brasil possui diferenciais importantes que o permitem se tornar líder global da bioeconomia. “Temos a maior produção de biomassa e ao menor custo do planeta, a maior biodiversidade do mundo, uma agricultura sustentável e altamente eficiente, além de recursos humanos altamente capacitados e experiência prévia, e bem-sucedida, em biotecnologia.”, acrescenta.

Apesar das inúmeras oportunidades que a bioeconomia pode oferecer ao mercado brasileiro, o seu avanço ainda depende de melhorias no sistema de inovação do país, sendo necessário superar os entraves e gargalos. “Para aproveitar esse potencial, o país precisa criar um ambiente estimulante à inovação, permitindo o desenvolvimento de uma atmosfera propulsora de negócios. Isso só é possível com o estabelecimento de políticas públicas adequadas.”, complementa Thiago Falda.

A Frente Parlamentar Mista pela Inovação da Bioeconomia, lançada em 2019, debate abertamente temas relacionados a inovações biológicas e ao impulsionamento tecnológico e traz como objetivo principal, a construção de uma visão de futuro para o Brasil, consolidando-o como líder da bioeconomia global e referência tecnológica na transição para economia de baixo carbono. Além disso, o Presidente da ABBI aponta que o Brasil vem avançando no âmbito das políticas públicas. “Os normativos no âmbito do Marco Legal de Biossegurança, a recente ratificação do Protocolo de Nagoia pelo Congresso Nacional, o lançamento da Estratégia Nacional de Propriedade Industrial, o plano de combate ao backlog de patentes e a Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), são exemplos claros desses avanços.”

Em termos de desenvolvimento industrial, a complexidade do sistema tributário e a alta burocracia são entraves que necessariamente precisam ser solucionados. Soma-se a isso necessidade de se criar um ambiente adequado para atração de investimentos e a criação de mercado para bioprodutos.

Uma vez que o termo bioeconomia pode ser aplicado a vários segmentos, para o estabelecimento de políticas é necessário que seja delimitado um escopo. “Nesse sentido, a ABBI trabalha no contexto de que a bioeconomia engloba toda a cadeia de valor que é orientada pelo conhecimento científico avançado e a busca por inovações tecnológicas na aplicação de recursos biológicos e renováveis em processos industriais para gerar atividade econômica circular e benefício social e ambiental coletivo.” destaca Thiago Falda.

O que o Brasil vem fazendo para impulsionar a bioeconomia no mercado interno

Além da modernização de marcos regulatórios como os de biossegurança, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) vem atuando no desenvolvimento da bioeconomia por meio de diversas ações, com destaque para a iniciativa “Cadeias Produtivas da Bioeconomia MCTI”, que visa fortalecer cadeias produtivas baseadas na biodiversidade por meio do desenvolvimento científico e tecnológico, e o projeto “Oportunidades e Desafios da Bioeconomia – ODBio”, que visa sistematizar a bioeconomia brasileira para as bases da construção de uma Política Nacional de Bioeconomia.

Da mesma forma, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), lançou, em 2020, o Programa Nacional de Bioinsumos com o objetivo de ampliar e fortalecer a utilização de bioinsumos no país que propõem, entre outros pontos, a viabilização de investimentos em inovação e o desenvolvimento de cadeias produtivas regionais, fomento à pesquisa, estímulo à produção sustentável e redução de custos para produção e utilização de bioinsumos. Além disso, destaca-se a implementação, em 2020, da Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), que tem como principal objetivo contribuir para o atendimento aos compromissos assumidos pelo Brasil no âmbito do Acordo de Paris, por meio da introdução de mecanismos de mercado que reconhece a capacidade de cada biocombustível na redução de emissões de carbono.

Considerando o papel fundamental das startups no desenvolvimento da bioeconomia, foi aprovado recentemente pelo Senado Federal, o Marco Legal das Startups que permitirá o estabelecimento de um ambiente regulatório facilitado para o desenvolvimento das atividades de empresas inovadoras no país.

Falando sobre o futuro

Um estudo recente divulgado pela McKinsey prevê que 60% dos insumos físicos para a economia mundial poderiam ser produzidos biologicamente, com potencial de gerar globalmente, nos próximos 10 a 20 anos, cerca de US$2 trilhões a US$4 trilhões de impacto econômico anual direto. No Brasil, a ABBI estima que a biotecnologia industrial – um dos segmentos da bioeconomia – pode agregar ao Brasil, nas próximas duas décadas, aproximadamente US$53 bilhões anuais à economia e mais de duzentos mil novos postos de trabalho qualificados se fossem investidos aproximadamente US$132 bilhões ao longo dos próximos 20 anos. Esses números poderão ser multiplicados com a introdução de mecanismos de mercado para comercialização de créditos de carbono, que poderão ser gerados com base nas emissões evitadas pela adoção de produtos de base biológica e renovável.

A necessidade imediata de uma transição global para uma economia de baixo carbono para mitigar os efeitos das mudanças climáticas já é uma realidade. O ganho da sustentabilidade aliado ao potencial econômico que a bioeconomia traz tem acionado países do mundo inteiro para incluir o tema no centro de suas estratégias de desenvolvimento e crescimento econômico. Os compromissos assumidos pelos países no âmbito do Acordo de Paris vêm sendo refletidos na definição de metas pelo setor produtivo no caminho da neutralidade de emissões.

Assim, para Thiago Falda, Presidente da ABBI, a bioeconomia oferece caminhos viáveis e que contribuem significativamente no processo de transição para uma economia de baixo carbono e coloca o Brasil, com as políticas públicas adequadas, num patamar de protagonismo, convertendo suas vantagens comparativas em vantagens competitivas.

Sobre Thiago Falda:

Atualmente é presidente da ABBI – Associação Brasileira de Bioinovação, é formado em Biologia pela UEL com Doutorado em Genética e Melhoramento de Plantas pela ESALQ/USP. Thiago tem mais de 15 anos de experiência na área de biotecnologia, com destaque para temas relacionados à Biossegurança de OGMs, Propriedade Intelectual e Biodiversidade.

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