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Sustentabilidade: muito mais do que uma tendência de mercado

Douglas Carstens
Co-Founder e CCO da Materialize

Sustentabilidade: muito mais do que uma tendência de mercado

“Se as portas da percepção estivessem limpas, tudo apareceria para o homem tal como é: infinito”. William Blake era um romântico incurável, e escreveu isso durante um importante período da história, o Iluminismo. O mundo era muito diferente do que é hoje, e ao mesmo tempo, muito parecido. Gosto de pensar que estamos, atualmente, atravessando um período de diferentes conceitos de progresso. No passado, isso significava rejeitar práticas ultrapassadas, e ensaiar sobre um possível mundo novo. Não é nenhuma surpresa que o autor de “Admirável Mundo Novo” fosse fã de Blake, mas acredito em um futuro muito diferente da distopia criada por ele.

 

Sustentabilidade 360º

Sustentabilidade. Palavra que ingressou em nosso vocabulário cotidiano, e em nossas vidas, é tida por muitos como uma “tendência de mercado”. Contudo, podemos vê-la como uma necessidade para a construção de um mundo que perdurará por gerações. Pessoalmente, quando penso nesse conceito, penso em eficiência. O planeta, embora virtualmente infinito em sua imensidão, é bastante finito em seus recursos, e como nós os aproveitamos ditará também quanto tempo teremos para aproveitar nossa própria existência.

Há cerca de um mês, cientistas da Penn State University declararam terem desenvolvido um equipamento portátil, capaz de transformar calor perdido em energia elétrica, limpa e renovável. Por que isso é surpreendente? Imaginemos o condensador de um equipamento de ar-condicionado doméstico. Esse equipamento é responsável por gelar o líquido refrigerador que ao passar pelo condicionador dentro da sua casa, resfria o ambiente, ao mesmo tempo que aquece a condensadora externa. E se pudéssemos aproveitar todo o calor dissipado?

Visualize um edifício comercial com suas centenas de unidades, cada uma capaz de gerar energia elétrica proveniente de uma troca térmica que simplesmente se dissiparia no ar. Mas, calma, isso pode ficar ainda mais impressionante. Ano passado, cientistas da TU Wien (Viena) descobriram um compósito com o dobro da capacidade de transferência de energia possíveis até então. Em um futuro talvez não tão distante, a construção civil poderá utilizar materiais dentro das paredes que transformarão a diferença de temperatura interna e externa em energia para abastecer as luzes da casa.

 

Trabalho Sustentável

Se paredes sustentáveis do futuro parecem um conceito distante demais, usemos o trabalho remoto, então, como exemplo próximo de quase todos os habitantes do “admirável mundo novo” pós-covid. Nele, foram necessários encurtamentos de distâncias, literais e metafóricas, para maximizar a produtividade dos envolvidos através de esforços cirurgicamente selecionados. A baixa mobilidade física sendo atenuada pela expansão da capacidade digital, por assim dizer.

Despende-se menos “energia” para que sejam atingidos resultados iguais ou, quando tudo é devidamente conduzido, até mesmo superiores àqueles conseguidos no ambiente do escritório.

Trabalhadores de algumas décadas atrás sequer sonhavam com jornadas de trabalho sem engarrafamento (investimento em forma de tempo, de automóveis e a infraestrutura que os acompanha, assim como combustível, estresse e desgaste mental), reuniões presenciais demasiadamente longas ou sem foco (mais uma boa dose de desgaste e tempo investidos, mesmo dentro do próprio escritório) e um número enorme de atritos que comprometiam a fluidez da rotina. Tudo isso pode, sim, muito bem ser resolvido com a ajuda do trabalho remoto, de equipes terceirizadas de maneira inteligente e moderna, equipadas de ferramentas, metodologias, softwares, aplicativos e plataformas criadas ou lapidadas justamente para que tudo isso ocorra com eficiência invejável.

As peças, novamente literais e metafóricas, podem se mover e encaixar de maneira mais eficiente, ecológica e independente. Ou seja: mais sustentável. Viu só como essa palavrinha está em tudo?

 

Admirável Mundo Novo 2.0

Isso me faz pensar na citação com que abrimos o texto. Se a forma como enxergamos a realidade depende de quão limpa está nossa percepção, acredito que este futuro depende do quão limpa é a energia que utilizamos, e o que quão preciso é o trabalho realizado na jornada para que ele seja construído.

Se a pandemia nos lembrou que estamos, afinal, extremamente conectados e próximos, talvez esta seja a deixa perfeita para também ressignificarmos a forma como trabalhamos e produzimos, sempre em paralelo com o desenvolvimento de tecnologias que nos permitem gerar energia renovável de maneira inteligente, utilizando desde o movimento das águas e ventos, até mesmo as trocas térmicas constantes, nas quais sequer pensávamos até então.

Esta combinação de avanço técnico e humano pode ser a chave para continuarmos vivendo em um mundo verdadeiramente infinito.

Sobre o autor:

Douglas Carstens é o Graduado em Administração de Empresas e com uma trajetória profissional de mais de 20 anos voltada ao empreendedorismo, tecnologia e inovação. Douglas é empresário nato e atua como Co-Founder e CCO da Materialize, Board Member da BR Captura, Co-Founder e Board Member da Datatem e Co-Founder da Bytes Holding. Ele vem compartilhar sua opinião a respeito da influência da sustentabilidade no nosso cotidiano e como esse conceito vem sendo incorporado no desenvolvimento tecnológico e no comportamento humano.

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O FUTURO PÓS-COVID

A COVID-19 é uma realidade, e irá provocar profundas mudanças em nosso atual modo de vida, colocando à nossa frente um futuro ainda incerto, o que podemos predizer com relativa certeza é que nada mais será como antes, ainda vai levar um tempo de um a dois anos até termos uma vacina e tratamentos comprovadamente eficazes. Como engenheiro eletricista, trabalhando com eficiência energética, inovação e transformação digital na EIDEE Energia, gostaria de compartilhar um pouco da nossa visão pós COVID-19, onde deveremos aprender com a crise e superar os obstáculos que já estão interpostos.

Trabalhadores, Construção, Site, Helmets, Silhuetas

  • Precisaremos manter e gerar empregos sustentáveis.

Quando digo sustentável, é porque nos demos conta da fragilidade de nossa economia baseada em combustíveis fósseis e endividamento. Nossa aposta é a criação de empregos em energias renováveis e eficiência energética, capazes de propiciar maior economia ao usuário, e empregos com longevidade, pois as energias renováveis proporcionam longos ciclos de investimento, operação e manutenção, além de poderem gerar empregos de forma geograficamente dispersa, levando desenvolvimento a todas as regiões, de acordo com sua fonte natural de energia.

  • Redução de custos

Teremos a necessidade de reduzir custos, sem gerar desemprego, para gerar caixa que poderá ser utilizado para mover os ciclos de investimento. Sem investimentos de longo prazo não há geração massiva de empregos e não poderemos almejar sair da crise.

  • Novos modelos de incentivos fiscais

A eficiência energética e as energias renováveis precisarão de novos incentivos capazes de alavancar quantidades massivas de recursos, como o faz o FGTS na construção civil, ou a isenção de imposto de renda para a inovação, pesquisa e desenvolvimento, mesmo com a possibilidade de acúmulo de prejuízo fiscal por alguns anos. Faria todo o sentido, isenção de impostos federais, estaduais e municipais, ainda que parcial,  para estímulos à eficiência energética e energias renováveis, o que levaria milhares de pessoas e empresas a alancar seus investimentos, reduzir seus gastos, melhorar seus indicadores de produtividade e principalmente,  gerar milhares de novos empregos.

  • Novos modelos de investimento

As ações emergenciais do governo ainda estão muito focadas em financiar os gastos, é preciso repensarmos a forma como investimos no longo prazo. Deveríamos estar pensando em estruturarmos uma previdência com lastro, através de fundos de previdência com regime de capitalização, que por sua vez seriam grandes financiadores de projetos energéticos sustentáveis.

  • Digitalização

Tivemos que catalisar a digitalização a fórceps, e conseguimos anos de avanço, ainda que não todos estivessem preparados para isso. Nos reinventaremos, como pessoas e como empresas, através de processos cada vez mais digitais, encurtando as distâncias e aumentando a produtividade e a capacidade de gerar riqueza.

  • Novos modelos de transporte

Precisaremos de novos modais de transporte. A eletrificação do transporte e novos modelos de negócio como compartilhamento, aplicativos, etc. é uma realidade em vários locais do mundo. Com toda a questão de se evitar aglomerações, a atomização do transporte será uma realidade e para isso, precisaremos de diferentes modais, mais acessíveis e com mais inteligência digital para a sua gestão e operação.

Toda crise é sinônimo de oportunidades para quem tiver visão e estiver preparado. Mais do que nunca, a solução virá acompanhada da sustentabilidade, inovação e digitalização. Criar valor nessas áreas passa a ser fundamental para sairmos da crise e recuperarmos a capacidade de crescimento e geração de riqueza. Uma coisa é certa, todos nós sairemos dela mais fortalecidos e transformados com a mudança que está diante de nós.

 


Sobre Cláudio Dantas:

Possui graduação em Engenharia Industrial Elétrica pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (1993), Mestrado em Tecnologia e Inovação pela Université de Technologie de Compiègne (1995), MBA em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas (2010), especialização em Administração Industrial pela Universidade Federal do Paraná (1996) e especialização em Redes de Computadores e Teleinformática pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (2001). Foi diretor da empresa ARTECHE MEDICIÓN Y TECNOLOGÍA S.A. DE C.V., México (2006/2007), Smart Grid Expert na SCHNEIDER ELECTRIC e possui experiência nas áreas de Engenharia Elétrica, com ênfase em Medição, Controle, Automação e Proteção de Sistemas Elétricos de Potência, atuando principalmente nos seguintes temas: inovação, smart grid, eficiência energética, proteção, controle, medição, regulação e automação de sistemas elétricos para a geração, transmissão e distribuição de energia. Atualmente atua como CEO na EIDEE Energia criando e implementando projetos cleantech para Eficiência Energética, Transformação Digital e Inovação. É membro do CIGRÉ – Conseil International des Grands Réseaux Électriques e participante do grupo de estudos CE-C6 de Geração Distribuída.

Texto enviado por: Cláudio Dantas

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Mobilidade Urbana – Como a conectividade pode contribuir com a gestão e melhoria da mobilidade dos grandes centros urbanos?

DATATEM

O uso da rede celular na transmissão de dados entre máquinas (M2M) tem se tornado cada vez mais comum no Brasil.

No cenário de mobilidade urbana, este tipo de comunicação viabilizou, por exemplo, o serviço de compartilhamento de bicicletas e patinetes elétricos nas principais capitais do país por meio de dispositivos de rastreamento conectados à rede GPRS.

Entretanto, engana-se quem acredita que para desfrutar dos benefícios da internet móvel na comunicação M2M basta inserir qualquer sim card nos dispositivos.

Entenda a seguir a importância da conectividade gerenciada neste processo.

O que é conectividade gerenciada?

Conectividade gerenciada é a internet móvel aprimorada com uma camada adicional de gestão.

São agregados componentes que possibilitam uma comunicação mais estável e segura, além da rápida identificação de problemas e redução de custos na cadeia operacional das empresas.

Isso significa que, para além do uso de um chip, são agregados recursos como APN privada, VPN’s e IP’s dedicados que garantem uma comunicação de qualidade para qualquer tipo de aplicação remota.

Com todas as informações da transmissão de dados unificadas em um mesmo sistema, o decisor pode agir de forma assertiva, evitando custos desnecessários com deslocamentos, por exemplo.

Ou seja, é até difícil imaginar uma aplicação de telemetria ou internet das coisas operando em pleno potencial sem este nível de comunicação.

Não contar com conectividade gerenciada é estar suscetível à instabilidade da internet móvel, falta de segurança na transmissão das informações e falta de controle sobre custos com transmissão de dados.

Como a conectividade tem influenciado o desenvolvimento das cidades? E a vida das pessoas?

Embora muitas vezes invisível, a conectividade é fator fundamental para o desenvolvimento de soluções que facilitam a vida das pessoas.

Por exemplo, pouca gente se dá conta, mas há inteligência por trás de alguns semáforos em horários de pico.

Graças à transmissão de dados remota feita por um chip M2M, é possível sincronizá-los de modo a minimizar o trânsito em avenidas com grande fluxo de veículos.

Para o usuário do transporte público, a comunicação M2M também traz benefícios, pois possibilita o acesso a informações, em tempo real, sobre localização e horário de chegada dos ônibus.

Isto sem mencionar a possibilidade de acesso à internet nos próprios veículos, fornecida por um roteador de internet wireless a partir do chip M2M.

 Quais os principais benefícios dessa solução?

Controle orçamentário, cobertura nacional, infraestrutura de comunicação, georreferenciamento via LBS, possibilidade de bloqueio de host’s e IP’s, manutenção de inventário de chip M2M, visibilidade de qualidade de rede, dentre outros.

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Evandro Gonçalves é diretor Executivo da Datatem, uma das empresas de conectividade gerenciada que mais crescem no Brasil.

Empreendedor certificado pela Endeavor, com mais de 18 anos de experiência na área de telecomunicações.

Especialista em gestão de transmissão de dados para aplicações remotas nos segmentos de rastreamento, segurança patrimonial, meios de pagamento, indústria 4.0 e utilities.

Sócio diretor das empresas MG8, BR Captura e Materialize.

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A importância da coletividade na mobilidade urbana

Dalila Lapuse é Cicloativista e Engenheira Ambiental pela Universidade Federal do Paraná. Seu contato com o tema Mobilidade Urbana foi através do Programa de Extensão chamado Ciclovida. Ela pedala desde a infância e em 2011 começou a utilizar a bicicleta como modal principal. É entusiasta de práticas reducionistas que visem qualidade de vida e melhorias ambientais.

Para Dalila Lapuse, uma cidade para se desenvolver, ela precisa fluir. E isso se dá, principalmente, pelo o ir e vir de seus habitantes. A cidade é feita pelas pessoas e elas precisam fazer uso dela. “Desse modo, eu vejo a mobilidade urbana como uma das prioridades do Mundo Contemporâneo e como fator determinante para a qualidade de vida da população, pois a cidade não existe sem as pessoas.”, ressalta Dalila Lapuse.

Nossa convidada ainda comenta que quando se pensa em sustentabilidade, o que logo vem à mente são práticas alternativas e fontes renováveis. A geração atual de pessoas já é muito mais consciente sobre a ideia de compartilhamento e da redução dos combustíveis fósseis; sobre a necessidade de quebrar o estigma do individual e incentivar o coletivo, o que faz surgir dessa forma a demanda de oferecer uma maior integração das pessoas com a cidade. Assim, uma das primeiras práticas a se investir é em transporte coletivo eficiente, de qualidade, que emita concentrações baixas ou nenhuma de poluentes para a atmosfera e que garanta aso seus usuários conforto e segurança com valores viáveis de tarifa para utilização. Além, é claro, o incentivo de modais que sejam reducionistas, por exemplo andar a pé – caminhar- e o uso da bicicleta.

Dalila Lapuse acredita que a grande tendência para um futuro próximo é a desconstrução da cultura do automóvel, o uso de modais que gerem menos resíduos e emitam menos poluentes e o desenvolvimento de tecnologias de baixo custo e sustentáveis.

Como exemplo, ela comenta que Curitiba foi a pioneira e continua sendo exemplo de transporte coletivo eficiente. Outras práticas que colaboraram para a melhoria da mobilidade na cidade foram: construção de ciclovias, ciclofaixas e ciclorotas; vias expressas exclusivas para os ônibus e o uso dos aplicativos de intermediação digital de transporte privado, como por exemplo o da Uber, que estimulam o compartilhamento e diminuem a quantidade de veículos nas ruas.

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