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O motor da vida perdendo peças | Clóvis Borges

Chegaremos em mais poucos anos aos oito bilhões de habitantes ocupando o Planeta. Com discrepâncias bastante significativas e injustas no que se refere às nossas condições de vida, estamos todos emaranhados intimamente com um incontável número de condicionantes impostos pelo ambiente onde vivemos. 

Como sabemos, esta rede de conexões se refere não apenas às questões de relacionamento social, onde lutamos por espaço e uma condição de vida com qualidade e bem estar. Os diferentes aspectos que influenciam nosso dia a dia estão conectados principalmente com o que acontece com a natureza ao redor.

O excesso de arrogância, o que inclui uma percepção equivocada de que podemos ignorar os limites da natureza, ainda move o comportamento indiscriminado de nossa espécie em relação a exploração dos recursos naturais. Adotamos uma fórmula de desenvolvimento baseada no crescimento contínuo, embora o esteja bastante evidente que o planeta é um só. E estamos mantendo esta lógica para direcionar nossas ações.

Esta percepção bastante óbvia dos limites da natureza, ainda não está inserida como condicionante em agendas de controle adequadas. O uso indevido de nosso patrimônio natural, muito acima dos limites, gera, por consequência, enormes desequilíbrios sociais e econômicos. Como temos sido informados, a degradação ambiental contínua avança sobre as últimas áreas naturais ainda bem conservadas, ameaçando a biodiversidade.

Salvo para os seguidores do terraplanismo negacionista, certamente é mais tangível o entendimento sobre as consequências mais tangíveis do fenômeno das mudanças climáticas, como os eventos extremos. Mas a perda da biodiversidade – ou seja, da diversidade de espécies e de paisagens existentes no planeta – é uma ocorrência tão ou mais perniciosa do que as alterações climáticas, para a espécie humana, além de serem fatores que se potencializam entre si.

Para exemplificar as consequências da extinção de espécies que estamos causando, basta imaginar uma fábrica onde existe uma máquina bastante complexa recebendo matérias primas e processando-as na forma de serviços e produtos. Se houver uma retirada constante de peças desta máquina, chegará um momento que ela não conseguirá seguir a produzir, simplesmente parando de funcionar.

No caso da biodiversidade vem ocorrendo a mesma coisa. Embora nossa postura ainda seja de ignorar grosseiramente a realidade, nossas ações estão provocando uma perda cada vez maior da condição da natureza nos aportar seus serviços ecossistêmicos. Estes serviços são incontáveis e representam elementos absolutamente fundamentais para a nossa qualidade de vida e para a manutenção dos negócios em geral. A água, talvez, o mais evidente de todos eles. Mas segue uma longuíssima lista de insumos, alguns dos quais passamos a prescindir, tamanho avanço deste cenário de degradação.

Se não tivermos a responsabilidade e o discernimento comum da necessidade de manter e restaurar em condições adequadas o patrimônio natural em que estamos inseridos, este motor gigantesco continuará a perder a sua condição ideal de funcionamento, reduzindo e paralisando partes de suas produções. Com uma perspectiva bastante concreta de atingir uma condição de inviabilidade. Para os que ainda entendem que esforços de conservação da biodiversidade representam ações dispensáveis, românticas e contrárias ao desenvolvimento, já passou da hora de revisar os conceitos.

 


 

Sobre o autor:

Clóvis Borges – diretor executivo da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental – SPVS
Formado em Medicina Veterinária e com Mestrado em Zoologia. Diretor executivo da SPVS, instituição que atua em parceria com atores públicos e privados, no campo da conservação da natureza. É fellow da Ashoka, afiliado à Fundação Avina, membro do Conselho Consultivo do FUNBIO e vice-presidente do Conselho Deliberativo do Instituto LIFE, instituição que gere a Certificação LIFE. Também integra o quadro do Observatório de Justiça e Conservação e Instituto Rã-bugio. Ainda é membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, promovida pela Fundação Grupo Boticário. Desde 2017, Clóvis também lidera a Grande Reserva Mata Atlântica, iniciativa que promove a conservação do maior contínuo do bioma, sob a metodologia de Produção de Natureza.

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Empresas membro do NRGHUB apresentam soluções de tecnologia e inovação em pitch day digital

Organizado pelo #NRGHUB, encontro reuniu 13 empresas que apresentaram seus modelos de negócio e aspectos inovadores aplicados ao setor de energias renováveis e sustentabilidade.

Empresas de diversos ramos de atividade participaram, no dia 21 de maio, do Energy Talks Digital: Pitch Day dos Membros do NRGHUB. Organizado pelo NRGHUB, o primeiro Hub de Energia do Brasil, a programação, que ocorreu de forma digital, teve como objetivo expor as soluções das empresas membro do NRGHUB, destacando o foco em inovação, tecnologia e sustentabilidade.

Ao todo, 13 empresas apresentaram seus produtos e serviços ao longo de três painéis divididos pelos temas Tecnologia, Gestão e Inovação, Energia e Sustentabilidade. Como em um seminário, os representantes das empresas envolvidas no evento tiveram um tempo determinado para as devidas apresentações. O evento destacou a oportunidade para troca de informações e experiências com o propósito de conectar, mesmo que virtualmente, empresas para o desenvolvimento de novos negócios.

 

Tecnologia

Cinco empresas apresentaram seus modelos de negócios no painel Tecnologia. Evandro Gonçalves, Diretor da Datatem, fala da atuação da empresa como provedora de conectividade gerenciada com foco nos mercados de Smart City, Smart Energy e IoT, com soluções dedicadas para cada nível da cadeia produtiva. Fundada em 2012 e hoje com mais de 800 clientes ativos em todo o país, está incluída nos ecossistemas do Paraná como Vale do Pinhão, Hotmilk, Fiep. O propósito da empresa é unir a cobertura nacional da rede GPRS (EDGE 3G e 4G) com plataforma de gestão de sim card M2M. Em paralelo, oferece suporte técnico que entende o fator crítico de muitas das operações dos clientes e faz atendimento personalizado.

“Todo o sistema de Smart Energy necessita de gerenciamento remoto”, aponta Gonçalves. “O envelhecimento da rede de distribuição de energia tem feito com que os players do mercado procurem gestão remota, com renovação de ativos de rede e uma visualização mais antecipada de pontos de falha”, informa.

Douglas Carstens, da Materialize, cujo trabalho é auxiliar na construção de projetos na área de tecnologia da informação e encontrar oportunidades de negócios, destacou a importância de identificar lacunas no mercado de tecnologia para pensar e elaborar novas soluções. Hoje, os clientes que procuram a Materialize encontram, explicou Douglas, equipe de especialistas, com metodologia de trabalho personalizada, entregas semanais e comunicação 100% registrada e compartilhada em tempo real. “A gente consegue trazer muito mais produtividade hoje do que quando tínhamos uma metodologia mais tradicional, do dia a dia de desenvolvimento”, garante.

Atualmente, a empresa contabiliza sete mil horas realizadas em projetos, 26 especialistas em TI, mais de 20 ideias materializadas; 2,6% de churn (taxa de benefício real para os clientes); 51% de crescimento em números de horas trabalhadas por mês no primeiro trimestre deste ano. “A gente começou a entregar para o cliente o resultado que ele não tinha com a própria equipe”, comemora.

Como representante da Crowd Voice, empresa que investe em tecnologia, Carstens apresentou o trabalho cujo foco é resolver dificuldades na busca por informações sobre cobertura das operadoras de celular. Uma vez que as informações sobre essas coberturas na maioria dos casos são prestadas pelas próprias operadoras, havia dificuldade em entender, por exemplo, por que em determinadas áreas que, segundo as prestadoras do serviço, contavam com cobertura, o sinal não era dos melhores. Assim, a empresa oferece uma solução que faz todo o mapeamento da cobertura das operadoras.

“Essa dor era muito latente tanto no mercado de energia quanto no de meios de pagamento. Então desenvolvemos algo diferente: fazer nosso mapeamento junto da cobertura das operadoras. E nisso criar um database desses dispositivos para saber qual é a cobertura e como isso pode mudar”, explicou. Exemplo: um prédio construído em determinada região pode se transformar em empecilho para o sinal do celular. Uma vez que toda empresa precisa de uma comunicação constante e fluida com seus clientes, a Crowd Voice auxilia na criação de ferramentas para que esse canal não seja interrompido. Com a tecnologia SDK (Software Development Kit), oferece a desenvolvedores como melhorar seus aplicativos. E em paralelo encontra sinais de celular e cria os mapas das operadoras.

“Nesse momento de pandemia, temos uma ação que entende a mobilidade e a proximidade das pessoas junto a hospitais e áreas de risco para entender se existem aglomerações. Conseguimos pegar esses dados, de forma anônima, autorizados pelo cliente, dentro do que define a Lei Geral de Proteção o de Dados (LGPD) e usamos isso para o bem”, informa. Os dados são fornecidos de forma gratuita aos órgãos públicos responsáveis pelas ações de controle e combate à covid-19.

Criada em 2008, com foco em soluções direcionadas a gestão de custo em telecomunicações, a MG8 auxilia seus clientes na minimização dos custos. Em sua apresentação, Luiz Francisco Matos Neto, co-fundador, destacou que a MG8 faz uma análise do cliente, dos contratos de telecom, infraestrutura e os serviços contratados. A partir dessa avaliação, propõe melhorias de revisão dos contratos, atualização da tecnologia e otimização dos recursos. Na área de gestão, assume a tratativa com a operadora de determinado serviço, contestando cobranças indevidas (caso encontre alguma), além da alocação de recursos, controle do inventário e serviço de help desk.

Com uma ferramenta própria, a TRP (Telecom Resources Planning), consegue ter uma visão completa dos serviços gerenciados. Permite, por exemplo, visualizar todos os gastos de telecom da empresa por tipo de serviço ou operadora. Ela é atualizada diariamente, se adapta a qualquer modelo de negócios e tem integração com sistema de ERP. O desenvolvimento é da Materialize.

Marcelo Otte, diretor da Vetorlog, lembrou em sua fala que usa solução Datatem em serviços prestados ao setor de energia. Com foco na gestão de energia elétrica, oferece, como produto principal, sistemas para medição e monitoramento de energia elétrica. No mercado desde 2011, todos os seus profissionais têm origem no mercado de energia. Hoje conta com mais de 600 pontos de medição de energia e atuação intensa no setor de energias renováveis.

A solução oferecida pela Vetorlog coleta os dados do medidor, que são enviados para servidores em nuvem. Disponibiliza também ao usuário o aprimoramento de indicadores, ferramentas de análises, com gráficos, índices e tabelas. “A gente vende conveniência”, explica Otte. “A gente liberta o cliente da tabela excel”. As soluções são de fácil instalação e está disponível a qualquer grande consumidor. Entre suas funcionalidades estão a setorização dos gastos, comparação de consumo x meta, composição de custos e comparação do quanto é utilizado de geração distribuída ante o uso tradicional.

“Comparo nossas soluções com o computador de bordo de um carro. Você chega ao fim da viagem e descobre quanto gastou. Quem gosta de dirigir com computador de bordo já economiza ao longo da viagem”, explica.

 

Gestão e inovação

Quatro empresas abordaram o tema no segundo painel. Adilson Santos, co-fundador da 4.0 Skills tratou do trabalho de treinamento e orientação profissional ofertado pela empresa. Tomando a NBA, liga profissional de basquete norte-americana, e a valorização que ela obteve nos últimos cinco anos, ressaltou a busca atual pela excelência como algo presente em todas as atividades profissionais.

Fundada no segundo semestre do ano passado, a empresa atua com foco em dois públicos potenciais: profissionais interessados na evolução das suas carreiras, que percebem a necessidade de aprimoramento de desempenho, e empresas que buscam se aproximar no ambiente da indústria 4.0 com cultura de investir em suas equipes, no incremento de processos e de performance.

“Há uma cultura de excelência presente, uma busca por superação. Essa é a razão de existência da 4.0 Skills”, definiu Santos.

Voltada à capacitação e à melhoria de gestão no agronegócio, a SIA trabalha pelo que classifica como intensificação sustentável. “Dentro do agronegócio a gente se depara com intensificações nem tão sustentáveis”, informou Bruno Quadros, diretor executivo da empresa, fundada em 2010. “A SIA traz essa visão de olhar o todo de uma propriedade rural e procura, com a nossa equipe, enxergar o negócio como um todo”, acrescenta. Desse modo, suas soluções contemplam sustentabilidade ambiental e econômica para as propriedades atendidas.

A maneira que a empresa encontrou para inovar em um setor bastante tradicional como o agro foi a digitalização. Utiliza o conceito de farm design em que cada parte da propriedade é vista de modo específico, como uma unidade, para conferir se a produção é eficiente.

Hoje a empresa conta com clientes nos três Estados do sul, além do Mato Grosso. São 1.224 propriedades atendidas de forma indireta e 2 mil de modo direto, em 205 municípios. O atendimento prestado pela SIA é diário: todos os dias um técnico da empresa visita a propriedade, está junto com o produtor, dando assistência e consultoria.

Em sua intervenção, Felipe Wotecoski, CEO da Hidreo Energy Solutions, explicou que o trabalho da startup (que mudou o nome no início deste ano para iniciar um trabalho de internacionalização) é focado no desenvolvimento de soluções para microgeração de energia a partir de fontes renováveis. “Falar sobre energia é falar sobre o maior desafio que a humanidade tem pra resolver nos próximos 50 anos, segundo especialistas: o fornecimento, distribuição e qualidade de energia”, salienta.

Hoje a empresa oferece a MCH, ou micro central hidrelétrica. Com as dimensões próximas às de um frigobar, o módulo tem capacidade para gerar energia para atender até cinco casas de porte médio. O produto trabalha com captação de fio d’água sob pressão, vazão a partir de 5 litros por segundo, potências de 1 a 75kW, ou até 54 mil kWh/mês.

Hoje a Hidreo atua em cinco estados do país, tem como meta fechar 50 contratos em 2020 e trabalhar com mil profissionais no Brasil. O trabalho se dá por meio de representantes e canais revendedores – lojas de material de construção e elétrico.

A Fohat, a primeira empresa de energy intelligence do Brasil, aplica inovação no setor energético ao entender as demandas desse mercado relativas a questões regulatórias e políticas. “Nossa missão é unir o setor energético ao financeiro”, informa Renan Schepanski, head de vendas. “A união desses dois mundos fará do Brasil um mercado evoluído, como o de países como Alemanha e Austrália”, projeta. Todo o trabalho da empresa é orientado pelo conceito dos 3D’s da energia.

A atuação da Fohat acontece em duas linhas: integração, com arranjos customer needs para a gestão dos ativos de uma empresa, voltados para autossuficiência energética, eficiência e redução de custo; e linha de comercialização, com soluções que digitalizam o processo e promovem transações de energia peer-to-peer, com o uso de inteligência artificial, big data e advanced metering.

 

Energia e sustentabilidade

O terceiro painel foi aberto por Cesar Augusto, fundador e diretor da Domínio Solar. Desde 2015 no setor de energia solar fotovoltaica, tem como propósito auxiliar pessoas e empresas de diversos portes a alcançar resultados econômicos e sustentáveis a partir da geração de energia oriunda da luz do sol. Conta com equipe própria de engenharia, estrutura completa de profissionais qualificados e mais de 32 mil placas instaladas em nove estados do país.

A solução oferecida pela Domínio Solar contempla todas as etapas do processo, desde a viabilidade técnica, econômica e financeira do projeto, incluindo assessoria na escolha do fornecedor de equipamento. “Buscamos por resultado financeiro e linhas de crédito competitivas, todo o processo jurídico-operacional, que envolve também solução sobre mercado livre e geração distribuída e a comercialização de energia excedente para grandes clientes”, diz o empresário.

Atualmente, com base em estudo da Bloomberg, a energia solar representa apenas 1,2% da matriz elétrica do país, mas a projeção é chegar a 32% até 2040.

A Lummi Energia entende que o setor elétrico é bastante complexo. Assim, seu trabalho de consultoria e gestão em energia é simplificar todos os processos, conforme informou Pedro Masiero. “Trazemos uma solução completa, desde a identificação do potencial até o uso da energia como um todo”.

Com “cara de startup”, salienta Masiero, atua a partir de quatro pilares: enxugando processos, com métodos fáceis, simples e ágeis; excelência técnica, com dedicação profunda ao planejamento e verificações técnicas; presença constante, com investimento em ferramentas e pessoas para que a comunicação e o acompanhamento sejam constantes; transparência, atenta aos interesses dos investidores.

A EIDEE Energia trabalha focada em sustentabilidade, inovação e transformação digital. Segundo Claudio Dantas, CEO da empresa, a palavra de ordem é transformar gastos em investimento que tragam benefícios.

Para isso, desenvolveram junto com o NRGHUB uma metodologia de projetos chamada iLabs, um laboratório de inovação. Por essa metodologia, trabalham para transformar gastos recorrentes e ineficiência em novos benefícios a partir da implantação do modelo iLabs. Faz-se um diagnóstico do projeto, então é criado um mapa de oportunidades, que é tratado como prioridade do trabalho. A seguir, define-se quais os projetos possíveis, a estrutura de cada um deles e coexecuta os projetos com outros conceitos do iLabs: as células de inovação.

Com esse conceito, já trabalharam em projetos de iluminação pública e projetos de iluminação artística para algumas prefeituras. Além disso, a empresa trabalha também com projetos de eficiência em edificações, que permitem, por exemplo, definir um modo de utilização otimizada de energia a partir do uso de energias renováveis. Outra solução é a de eficiência industrial, sobretudo na parte de motores, que demandam maior energia.

A Emergia é uma consultoria que atua na área de engenharia ambiental. Fundada por Ana Paula Franco de Oliveira e Vitória de Oliveira, surgiu a partir das dificuldades observadas no setor. A partir de uma enquete, as consultoras perceberam que, de 100 profissionais que responderam a enquete, 90 assumiram que não conseguem entender como ampliar sustentabilidade na prática e no dia a dia das organizações; 80 desses profissionais não contam com corpo técnico para auxiliar nos processos ambientais ou não se sentem preparados para isso, e encontram dificuldades para trabalhar com sistemas e burocracias.

Criaram então soluções que promovem o desenvolvimento sustentável. Entre elas, um plano de gestão de resíduos sólidos, que permite à empresa pensar no resíduo gerado por ela como um produto, matéria prima para ser aplicada no início do processo produtivo ou para ser vendido a outras empresas.

 

A Emergia realiza também toda a avaliação de processos ambientais, como licenciamento ambiental, gerenciamento de resíduos, estudos de impacto de vizinhança, atua em P&D com universidades e realiza capacitação profissional, além de aplicar seus conhecimentos na busca por certificações ambientais e de qualidade.

Um dos trabalhos de capacitação profissional realizado pela Emergia é o Ciclo Sustentável, em parceria com NRGHUB, que acontece por meio de workshops práticos. “Não é que os profissionais não sejam capacitados para atuar e aplicar sustentabilidade. É que no cotidiano muitas vezes acontece de se perder o foco”, analisa Vitória de Oliveira. Ela acrescenta que sustentabilidade não é apenas pensar no meio ambiente, mas também em todo o lado social do processo produtivo, que envolve colaboradores internos e externos e a parte econômica de uma organização.

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COVID-19 COLOCA ENERGIAS RENOVÁVEIS EM COMPASSO DE ESPERA, MAS FUTURO É PROMISSOR, DIZEM ESPECIALISTAS

Em bate-papo virtual realizado no último dia 28, nomes importantes do setor avaliam momento de estagnação e projetam futuro pós-pandemia


 

No último dia 28 de abril, especialistas do setor de energias renováveis do Estado do Paraná se reuniram, em uma webinar promovido pelo NRGHUB, para discutir os impactos da crise do Covid-19 nos diversos segmentos que compõe o cenário de geração de energia limpa no Estado e seus desdobramentos econômicos. Entre particularidades enfrentadas por cada área em um momento de dúvida quanto ao futuro, a ideia de colaboração entre o setor foi apontada pelos participantes como fundamental para a retomada econômica pós-pandemia.

O bate-papo virtual reuniu Paulo Schmidt, assessor da superintendência de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná e presidente do Comitê Gestor do Projeto Smart Energy Paraná; Felipe Marques, diretor de desenvolvimento tecnológico do CIBiogás; César Augusto, sócio diretor e fundador da Domínio Solar; e Pedro Masiero, sócio fundador da Lummi Energia. A conversa foi moderada por Renata Abreu, CEO da NRG Soluções Sustentáveis e fundadora do NRGHUB, o primeiro Hub de Energia do Brasil.

“A gente muda por dois motivos: ou pela visão ou pela crise”, destacou Schmidt. “A visão é o melhor indutor, porque a crise pressupõe o medo e leva você a outros efeitos. Infelizmente desta vez, vamos mudar pela crise”, apontou, ao avaliar que o momento obriga o setor a repensar decisões e até mesmo modelos de atuação.

Com a crise sanitária e econômica, Schmidt entende que o setor de energias renováveis vai depender cada vez mais de sistemas resilientes, que suportem impactos como os gerados por esse momento. E nesse sentido, a geração descentralizada terá um papel importante a partir dos efeitos econômicos já sentidos pelo país. Em dezembro do ano passado, durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, o professor do departamento de economia da Universidade da Califórnia, Rodrigo Pinto, informou que, apenas em novembro daquele ano, a produção de energia solar em forma de geração distribuída gerou redução de custo de R$ 66 milhões para o sistema elétrico brasileiro. Segundo dados de março da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), hoje são 201.773 sistemas conectados na modalidade de geração distribuída.

O impacto nas PCHs

“Essa crise é de curto prazo”, defende Masiero. E ao considerar que os investimentos em PCHs são de médio e longo prazos, afirma não ter visto, pelo menos até o momento, investimentos programados para os próximos dois ou três anos serem interrompidos ou postergados.

A dificuldade maior no momento, explica, está na cadeia logística e nos fornecedores. “Às vezes vou contratar um serviço para uma obra em andamento e esbarro em um fornecedor dizendo que não consegue atender [ao pedido] porque em determinada cidade não há hotel ou pousada [disponível] para hospedar a equipe dele”. Embora entenda que haja, no setor, incertezas quanto ao futuro, Masiero mostra otimismo. “O Paraná tem uma vocação muito grande para energia hídrica e o trabalho vai continuar”.

Energia solar

Em um raio-x resumido do setor, César Augusto destacou que enquanto a maior parte das obras de grande porte segue sendo executada, algumas obras de menor dimensão estão sendo repensadas.

Em uma projeção, César acredita que será preciso muita infraestrutura para a geração de emprego; e para isso, energia barata será muito bem-vinda na retomada econômica. “A geração distribuída vem se mostrando bem interessante para a geração de emprego”, aponta. Para ele, passado esse momento de estagnação, os grandes geradores de energia ou mesmo os agentes governamentais terão de agir para baratear a energia para a indústria, um dos grandes consumidores do insumo no país. “Deste modo, a indústria vai produzir com menos custo e gerar mais emprego, mais renda, para a economia andar”, acrescenta. Linhas de crédito de prazos mais longos serão fundamentais também para tirar projetos maiores do papel.

Biogás não parou

Felipe Marques celebra o fato de que, no setor de biogás, a decisão de investimentos em projetos continua. “Os projetos que estavam em análise continuam de pé. Não houve recuo”, salienta. “O que a gente identificou é que projetos que precisam importar algum equipamento ou componente vão ser impactados em cronograma e em custo”.

O país conta com fornecedores nacionais para atender os projetos menores. Assim, o impacto maior deve ser observado sobre os investimentos em plantas de maior porte, já que elas dependem muitas vezes de itens importados. “Esses sim vão esperar que essa questão de logística, do tempo que a peça vai demorar a chegar, se resolva. Vai haver um tempo até as coisas ficarem mais previsíveis para a retomada dos investimentos”, acredita Marques.

Horizonte pós-pandemia

A expectativa dos especialistas é otimista. Schmidt acredita que, durante e após a crise, o discurso a ser adotado pelo setor é colaboração. “Cabe a nós associar os projetos de renováveis para o Estado dentro de uma visão otimista de retomada do desenvolvimento econômico, da geração de empregos, tudo dentro da ideia de cooperação. Precisamos construir pontes entre as várias visões do empreendimento, entre políticas públicas e os negócios para que, acima de tudo, a gente fortaleça as decisões que virão e levar propostas consistentes ao governo nesse sentido”.

Masiero acredita que o setor está alinhado quanto à necessidade de que as fontes renováveis devem ser complementares em vez de concorrentes. Renata acrescenta que o momento precisa servir aos diversos atores deste setor como impulso para a busca por reinvenção e inovação. “Os setores públicos e privados podem e devem cooperar entre si, por meio de novos formatos e modelos, para o desenvolvimento do setor de renováveis no Paraná”, defende.

 

Texto: Comunicação NRGHUB.

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A LUZ NO FIM DO TÚNEL

Práticas eficientes associadas a programas de incentivo podem ser a chave da recuperação econômica pós-covid

Acredito que todos vocês já devem ter pensado: O que será dos nossos negócios quando toda a crise sanitária acabar? E como manteremos os nossos negócios de pé frente à crise econômica que caminha junto à pandemia?

Diversas medidas emergenciais vêm sendo tomadas para que a economia brasileira não entre em colapso. No entanto, percebemos também que os fundos emergenciais são finitos e em alguns setores, como é o caso do setor energético, os auxílios pontuais acabam por postergar os aumentos de tarifas e tributação, alongando com isso, a curva da problemática econômica.

Falando especificamente do setor energético, podemos perceber que o setor como um todo está em crise e não apenas no Brasil, como no mundo. Pela primeira vez na história nos deparamos com o preço do barril do petróleo sendo negociado a valor negativo. Segundo o Ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, a pandemia do novo coronavírus (COVID-19) levou o setor energético brasileiro a uma crise nunca vivida antes, agravada pelo cenário global. Apenas para registrar, o Brasil teve uma queda de aproximadamente 33% no consumo da gasolina, em apenas um mês. A demanda por etanol caiu 44%, óleo diesel 18%, gás natural 20% e querosene para aviação aproximadamente 85%.

Quando avaliamos o setor elétrico, o impacto foi de 22% de redução no consumo, equivalente a quase o consumo total do sul do país. Isso se deve à redução da produtividade frente à necessidade de isolamento social. E vamos mais longe, os consumidores, principalmente aqueles que compram energia do mercado livre, como grande parte das indústrias e grandes consumidores precisarão renegociar seus contratos para não quebrarem seus fluxos de caixa. As distribuidoras já começam a sofrer com a inadimplência e enviam alerta de “força maior” para as geradoras e comercializadoras referente ao cumprimento das obrigações contratuais.

O fato é que toda a cadeia do setor elétrico deverá se adaptar ao novo cenário. De certa forma se reinventar e adotar soluções inovadoras e integradas entre todos os agentes envolvidos, da geração ao consumo, renegociando contratos, formas de pagamentos, entre outras ações para mitigar os impactos que virão no médio prazo.

Começamos a perceber que a colaboração é quase que um pré-requisito para transitarmos atualmente em qualquer setor da economia. E alternativas sustentáveis e renováveis vêm surgindo como uma solução emergencial e para preservar o nosso longo prazo. A atual crise oferece uma oportunidade para isso.

Como uma luz no fim do túnel, especialistas da Agência Internacional de Energia (EIA) apontam que diversos governos começam a incluir nas suas prioridades pacotes de estímulo à utilização de tecnologias de energia limpa como forma de criar empregos e impulsionar economias agora.

Dentre essas soluções, adotar práticas de eficientização energética pode ser a grande chave para uma recuperação econômica rápida e sustentável, principalmente do setor industrial. Ainda, aliando cadeias de suprimentos locais, como a construção civil, a medidas que incentivem o desenvolvimento econômico acelerado, juntamente com a eficiência energética, pode-se alcançar benefícios de longo prazo como a melhoria da competitividade econômica de países e empresas, a acessibilidade energética para os consumidores, principalmente àqueles de baixa renda – e, é claro, a redução das emissões de gases de efeito estufa.

O setor de construção civil pode ser o grande aliado desta rápida recuperação, de negócios diretos e indiretos, criando rapidamente empregos e revigorando os negócios locais. Para isso, é claro, não podemos ter instabilidades jurídicas, pois por meio de programas de incentivo pode-se prever a melhoria energética e construtiva de empreendimentos existentes, destinando, por exemplo, a economia de energia gerada como fonte de investimento em novos empregos, serviços e melhorias sociais.

Segundo os especialistas em eficiência energética da EIA, Brian Motherway e Michael Oppermann, os governos podem liderar o caminho para aumentar os investimentos em eficiência energética, canalizando-os para edifícios públicos, como moradias sociais, escolas, unidades de saúde e escritórios do governo. Pode ser fornecido financiamento para a construção de novas escolas ou hospitais ou para atualizar as casas existentes para níveis mais altos de eficiência, criando impactos positivos de longo alcance. Vários programas de estímulo após a crise financeira global em 2008 fizeram exatamente isso, incluindo um programa americano que criou mais de 200.000 empregos.

Embora o foco esteja justamente em mitigar os impactos do curto prazo, programas bem projetados poderão maximizar os benefícios a longo prazo, elevando os padrões de eficiência e desenvolvendo novos mercados. Assim, em resposta à MP 950 do Ministério de Minas e Energia, a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica – ABSOLAR apresentou um projeto onde se propõe ao governo a instalação de sistemas fotovoltaicos em consumidores de baixa renda, trazendo uma economia de R$ 817 milhões nas contas ao longo de 25 anos. O presidente da ABSOLAR afirma ainda que esse projeto visa reduzir o custo da CDE e beneficiar aproximadamente 9 milhões de pessoas de baixa renda (pelo programa Tarifa Social), não apenas por 3 meses, mas sim, por 25 anos.

Assim como estas, diversas outras ações e programas de incentivo podem ser concretizados se atuarmos de forma consciente, responsável e integrada às necessidades reais de mercado, permitindo com que diversos negócios, empresas e empregos mantenham suas atividades em operação gerando riqueza e renda para a população brasileira.

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