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Agronegócio brasileiro: inovação por natureza

Agronegócio brasileiro: inovação por natureza

Claire Meignié, engenheira agrônoma de formação e atual Diretora de Agronegócio na Business France Brasil é a especialista convidada do mês de julho/2021 do NRGhub e traz sua visão sobre o agronegócio brasileiro e a inovação.

O agronegócio é uma das principais atividades econômicas no Brasil (senão A principal). Tendo batido um crescimento recorde em 2020, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a participação do setor no PIB total brasileiro pode ultrapassar os 30% em 2021.

O Brasil tem grande potencial de se tornar, num futuro breve, o maior fornecedor de alimentos do mundo. Para esse progresso no setor acontecer não se pode deixar de falar da importância de se incentivar a inovação. Sobre isso, a especialista Claire Meignié opina dizendo que “a inovação no agro já é algo intrínseco, pois o agro brasileiro nasceu a partir de inovações sobre práticas agrícolas. Há uns 40 ou 50 anos atrás, o incentivo à pesquisa baseada em conhecimentos adquiridos ao redor do mundo foi um fator chave para o desenvolvimento do setor no Brasil”.

A diretora de agronegócio na Business France Brasil conta que no início, as práticas agrícolas em solo brasileiro ocorriam muito na base da experimentação. Adquirida experiência, a evolução do setor veio a partir da integração dos conhecimentos desenvolvidos e da tecnologia, transformando a agricultura tropical, de certa forma artesanal, em uma agricultura de larga escala.

O agronegócio brasileiro tem evoluído muito não apenas do ponto de vista tecnológico, mas também, do ponto de vista sustentável. Segundo a CNA, “o Agro brasileiro reduziu drasticamente o preço da alimentação, melhorando a saúde e qualidade de vida da população urbana, liberando seu poder de compra para bens produzidos pela indústria e pelo setor de serviços.”

A Era da Conectividade também vem invadindo o agronegócio, visando melhorar gestão, transparência e confiabilidade dos dados e aprimorar a produtividade e sustentabilidade do setor. E com isso, ecossistemas de inovação ganham expressividade. Segundo um mapeamento realizado entre Embrapa, SP Ventures e Homo Ludens, o Brasil possui mais de 1500 startups de tecnologia atuantes no agro e apesar de recente, de 2019 até hoje, esse número apresentou um expressivo crescimento de aproximadamente 40%. Dentre as startups mapeadas até o momento, a maioria vem atuando no desenvolvimento de alimentos inovadores. A segunda categoria que vem liderando o ranking das startups são sistemas de gestão da propriedade rural. O estudo completo pode ser encontrado através do link: https://radaragtech.com.br/.

Para as startups AgTechs, uma das principais barreiras enfrentadas era a própria falta da cultura de inovação do mercado e de estruturas que fomentassem essa cultura. Atualmente, pode-se dizer que essa barreira já foi vencida com o desenvolvimento de um próspero ecossistema de inovação ligado ao agro brasileiro espalhado pelo Paraná, São Paulo, Mato Grosso e outros estados. Uma outra barreira, uma pouco mais atual, é a influência das novas tecnologias no setor. “O agricultor via muita dificuldade e até desconfiava de modelos de negócio muito tecnológicos e digitais. Mas a pandemia fez com que a digitalização ocorresse de forma forçada e fosse impulsionada de forma expressiva no agronegócio, favorecendo o desenvolvimento das Agtechs.” destaca Claire.

Entusiasta do agronegócio brasileiro, Claire Meignié valoriza o potencial inovador que o mercado interno apresenta para superar desafios e barreiras mercadológicas. E junto a isso, a especialista no assunto reforça que as cooperações internacionais podem acelerar a inovação do agro brasileiro a partir de uma visão mais holística e integrada. “A exemplo da França, as estratégias de inovação colocam os concorrentes como cooperadores a partir de objetivos e metas comuns, que visam favorecer e fortalecer o desenvolvimento do setor”, salienta a diretora de agronegócio na Business France Brasil.

Quando falamos de ESG, mais precisamente de ações socioambientais vinculadas ao agronegócio brasileiro podem ser destacados alguns programas de incentivo à agricultura familiar, práticas de plantio direto e manejo integrado, uso de bioinsumos, entre outros. “O agronegócio brasileiro praticava a sustentabilidade mesmo sem perceber e acabava não tornando evidente essas ações. Muito recentemente, o setor começou a se posicionar mais fortemente no assunto colocando em destaque a sustentabilidade e assumindo novos compromissos” reforça Claire.

Um setor que vem crescendo de forma expressiva no mundo, o agronegócio brasileiro já alimenta mais de 800 milhões de pessoas. Segundo a CNA, a agricultura nacional atualmente é adaptada às regiões tropicais e os produtores rurais estão cada vez mais conscientes de suas responsabilidades ambientais e tornam o agro brasileiro mais produtivo, moderno e sustentável.

Sobre Claire Meignié:

Franco-brasileira e residente no Brasil há 15 anos, Claire ingressou no escritório da Business France Brasil, a agência francesa de desenvolvimento internacional da economia francesa, em 2013 como assessora de exportação e depois tornou-se Diretora da divisão Agrotech. Anteriormente, trabalhou na Embaixada de França em Brasília como assistente do Embaixador da França no Brasil, e na trading Louis Dreyfus, como promotora de projeto de software de gestão varietal de cana de açúcar. É formada em Engenheira Agrônoma com duplo diploma da ISARA-Lyon (França) e da ESALQ-USP (Brasil).

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Uma Revolução pela Sustentabilidade

Uma revolução pela Sustentabilidade

Rômulo Sousa Lisboa, Diretor de Desenvolvimento e Qualidade na STCP é nosso especialista convidado, com 30 anos de experiência na execução e gerenciamento de projetos relacionados à área de meio ambiente, geoprocessamento e florestas.

Inspirado no evento Cidadão Global 2021 que ocorreu em 25 de maio de 2021, promovido pelo banco Santander e Valor do Grupo Globo, Rômulo Lisboa traz alguns highlights sobre a necessidade de se mitigar os impactos ambientais, destacando a importância das práticas sustentáveis, critérios ESG (Environmental, Social and Governance) e transição econômica rumo à economia de baixo carbono.

Em sua introdução destacou “Para a efetiva implementação dos critérios ESG, temos que ter e valorizar o conhecimento acumulado. Com este conhecimento planejar de forma adequada as ações necessárias à implementação dos critérios, promover o engajamento de todos os stakeholders nos diversos níveis hierárquicos e de atuação, caso contrário o efetivo compromisso com ESG não ocorrerá nas corporações.

O protagonista do evento foi o ex-vice-presidente dos Estados Unidos e ambientalista Al Gore e segundo ele, o planeta vive ‘’revolução’’ pelo clima. Desde 2006, em seu documentário “Uma verdade inconveniente”, Al Gore vem fazendo esse apelo global sobre a responsabilidade dos nossos atos em relação à sustentabilidade do planeta.

O ambientalista destaca que a “revolução da sustentabilidade” é um caminho sem volta e deve ser intensificada nas próximas décadas, na mesma velocidade da revolução digital. Ainda, ele reforça que o mundo precisa levar a sério o aquecimento global e que a transição para uma economia de baixo carbono pode trazer oportunidades de retomada econômica, incluindo o Brasil. A exemplo disso, Al Gore comenta que ‘’O Brasil pode gerar toda a energia que precisa somente com energia solar, ocupando menos de 0,8% de sua área total’’.

Um outro fato interessante mencionado pelo ex-presidente dos Estados Unidos é de que as pessoas como consumidores começaram a exigir das empresas uma mudança em direção à sustentabilidade. E junto a esse movimento, lideranças corporativas começam a investir em ativos alinhados às premissas ESG. No entanto, Al Gore ressalta que “A meta tem de ser reduzir de fato as emissões, em vez de confiar na compensação de carbono”.

Falando do cenário brasileiro, Al Gore demonstra sua preocupação ao falar do desmatamento da Amazônia e destaca que o PIB pode sofrer uma queda de 17% até 2048, caso o Brasil não adote medidas de combate ao aquecimento global. Apesar do elevado potencial em produção de energia limpa como a energia solar e eólica, que pode compensar as emissões de gases de efeito estufa, apenas em 2020, o Brasil perdeu mais vegetação primária do que qualquer outro país.

Sem dúvida, afirma Rômulo, temos que ter controle sobre os processos de uso dos recursos no Brasil, de forma sustentável e que garanta para a gerações futuras a manutenção desse bem maior. No entanto o dever de casa vale para todos os países, em especial para Europa e América do Norte que já se apropriaram das coberturas vegetais naturais em todo o seu território. As experiências vivenciadas por esses países devem servir de exemplo do que não fazer. Até porque todos devem estar efetivamente dispostos a pagar pela conservação dos bens, independentemente de divisões territoriais.

Além da presença de Al Gore, esse evento contou com a participação de José Roberto Marinho, Vice-presidente do Grupo Globo e Sérgio Rial, Presidente do Santander Brasil e Head do Santander na América do Sul.

José Roberto Marinho afirmou que a sustentabilidade tem de ser associada à educação e informação e que a transformação energética sem precedentes, impulsionada pela economia livre de carbono, demanda aptidões profissionais alinhadas às premissas globais como: Engenheiros que desenvolvam projetos de infraestrutura verde; Biólogos que descubram nas plantas da Caatinga e do Cerrado o que as deixa adaptadas naquele clima de estresse árido; Agrônomos que produzam alimentos sem causar a destruição do solo e rios; Engenheiros Florestais que saibam imitar o que a natureza faz e Economistas que pensem além do PIB.

A importância de nossos profissionais e sua capacidade de adaptação e adequação de seu conhecimento às novas oportunidades foi destacada por Rômulo, principalmente na agregação do conhecimento local (tradicional) sobre diversidade dos recursos e potencial de destinação, em especial a bioeconomia, tema tão debatido atualmente quanto à sua riqueza de produtos não madeireiros oriundos, principalmente da Amazônia.

Já Sérgio Rial destacou que o mercado financeiro está no epicentro da questão climática e que é dever do mercado financeiro estimular o desenvolvimento de tecnologias “escaláveis” de baixo carbono. Ainda, o presidente do Banco Santander destacou que os investimentos e objetivos das empresas privadas estão indo além da obtenção de lucro, ressaltando novos valores da cultura corporativa direcionada a investimentos não financeiros associados à consciência e responsabilidade social e ambiental.

Sérgio Rial reforçou a importância da tecnologia como ferramenta estratégica para mapear nossa biodiversidade e afirmou que o conhecimento local é fundamental em termos de conservação e prosperidade da população regional.

Diante de um cenário de verdadeira revolução pela sustentabilidade do planeta, a Bioeconomia vem ganhando destaque como a nova economia baseada no baixo carbono. E o Brasil, apesar dos desafios, tem grandes oportunidades para liderar esse movimento global rumo ao desenvolvimento sustentável das cadeias produtivas.

Rômulo comentou que: “Temos hoje, pelo menos, mais de uma centena de projetos em desenvolvimento que contribuem de forma significativa para a economia do Brasil, a exemplo das Cadeias Produtivas do Açaí, Castanha, Cacau, Piscicultura, Erva-Mate, Óleos essenciais (Andiroba, Cumaru) entre outros.”

“Segundo a Associação Brasileira de Bioinovação (ABBI) – potencial adicional ao PIB nacional de US$ 53 bilhões por ano, com o mercado verde”.

Sobre Rômulo Lisboa:

Rômulo é Engenheiro Florestal, especialista em planejamento e inventário e atualmente Diretor de Desenvolvimento e Qualidade da STCP. Possui 30 anos de experiência na execução e gerenciamento de projetos na área de meio ambiente e florestas, tendo conduzido diversos estudos estratégicos para uma diversidade de empresas e organizações nacionais e estrangeiras relativos a licenciamento ambiental, planejamento da produção, due diligences, prognoses de produção, gestão florestal, inventário florestal, planos de manejo de UCs, avaliação de ativos e estudos de viabilidade e pagamentos por serviços ambientais. Também é responsável pela organização do Fórum Sustentabilidade e Governança em suas  7ª edições ocorridas.

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8 Anos de história movida a biogás

8 Anos de história movida a biogás

Em entrevista exclusiva, conversamos com Rafael González, Diretor Presidente do CIBiogás e Felipe Marques, Diretor de Desenvolvimento Tecnológico do CIBiogás para falar sobre como a cadeia do biogás vem se desenvolvendo no Brasil e como a inovação vem fazendo parte da trajetória da instituição, que em 2021, completa 8 anos.

Panorama do Biogás no Brasil

Recentemente foi lançada a Nota Técnica que referencia o Panorama do Biogás no Brasil no ano de 2020 e é possível perceber que, mesmo que ainda tímido, o setor de biogás vem crescendo de forma significativa no país.

O fortalecimento da cadeia de fornecedores nacionais tem sido um dos principais aspectos para o crescimento do setor de biogás. “O domínio tecnológico aumentou bastante nos últimos anos, entregando aos interessados em produzir biogás, plantas com propostas mais robustas.” destaca Felipe Marques.

O desenvolvimento de modelos de negócios para a realidade nacional também permitiu que mais empreendedores do biogás tenham encontrado resultados relevantes em suas plantas, com a possibilidade de atração de investimentos, acrescenta o Diretor de Desenvolvimento Tecnológico do CIBiogás.

Além disso, o debate técnico entre as lideranças das diversas esferas governamentais tem promovido maior destaque ao biogás, no que se refere ao desenvolvimento de uma legislação mais segura e possíveis linhas de créditos, com perspectivas positivas focadas na transição energética nacional.

“A modernização da matriz energética é uma realidade que o país está enfrentando. Com isso, as energias renováveis e, por sua vez, o biogás, ganham relevância política e governamental. Essa movimentação aquece o interesse de investidores, sim, mas também acaba trazendo em pauta o tratamento de resíduos como uma solução polivalente para demanda energética, ambiental, econômica e social.” Comenta Rafael González.

Biogás: uma fonte energética circular e resiliente

A transformação da biomassa oriunda dos dejetos animais, resíduos agroindustriais e resíduos sólidos urbanos oportuniza, não apenas a geração da energia térmica ou elétrica a partir do biogás produzido, mas também, a obtenção de produtos secundários de alto valor agregado como o biometano e o biofertilizante.

A versatilidade do biogás amplia as oportunidades de geração de renda e vai de encontro às políticas de mitigação das mudanças climáticas. É possível perceber uma característica singular da cadeia do biogás que traz, na prática, o conceito de economia circular e desenvolvimento sustentável. Além disso, incentiva a descentralização na geração, não apenas de energia, mas também na geração de recursos, favorecendo o desenvolvimento econômico local.

O Brasil tem clima favorável, dimensões continentais e uma atuação econômica nacional e internacional que resulta numa alta concentração de produtos que devem ser convertidos em ativos energéticos, comenta Rafael González. Por esta e outras razões, o Brasil pode ser o grande protagonista mundial na cadeia do biogás, reunindo as melhores características para se estabelecer como referência em sustentabilidade energética.

Felipe Marques destaca que em pouco tempo, o agronegócio brasileiro poderá se apresentar ao mundo como o mais verde do planeta. “Um exemplo para ilustrar são os caminhões da logística de transporte do interior para os portos rodando com biometano e gás natural. Outro exemplo, são os resíduos urbanos orgânicos sendo utilizados para produzir biometano para o transporte público. Dois exemplos que conectam com a circularidade e regionalização econômica.” acrescenta Felipe.

Dados apresentados pela ABiogás apontam que o biometano pode suprir até 70% da demanda de diesel. O BiogásMap, ferramenta digital desenvolvida pelo CIBiogás, indica ainda um crescimento no número de plantas de biometano, de pequeno a grande porte, em torno de 6x mais no ano de 2020 se comparado ao ano de 2019.

O presidente do CIBiogás, Rafael González, ressalta que o Brasil tem potencial para produzir 82,58 bilhões de metros cúbicos ao ano, considerando os setores sucroenergético, saneamento, proteína animal e produção agrícola (ABiogás, 2021). Deste potencial, no último levantamento do CIBiogás, aproveitamos apenas 4% (1,83 Nm3/ano).

Se compararmos o cenário brasileiro, ao mercado internacional como o da Alemanha, por exemplo, é possível perceber que mesmo em condições não tão favoráveis como as do Brasil, a Alemanha vem liderando o mercado de biogás. “O que falta é ter leis e incentivos fiscais, maior divulgação de ações e projetos de sucesso, desenvolvimento de políticas públicas e agenda política estratégica para dar atenção à fonte no Brasil.”, destaca o presidente do CIBiogás.

8 Anos de muita energia movida a biogás e inovação

O CIBiogás e seus associados já vem contribuindo há 8 anos pelo menos para a democratização do biogás, entregando projetos de Pesquisa & Desenvolvimento, estruturando novas modelagens de negócios e arranjos produtivos, além de informação de alto nível e capacitação de mão de obra especializada. São diversas linhas de atuação e sabemos que podemos produzir biogás em todos os estados brasileiros, mas ainda queremos mais, queremos que o Brasil todo tenha acesso aos benefícios do desenvolvimento deste energético em nossa matriz.

Inovação é nosso café da manhã no CIBiogás. Me orgulha o time inquieto que temos, buscando sempre formas de produzir mais biogás, aumentar performance, modelar novos negócios, aproximar fornecedores e desenvolver novas tecnologias. Temos um ambiente crítico, cooperativo e colaborativo no nosso centro, focado no pensamento criativo e inovador.” destaca Felipe Marques.

Rafael González acrescenta que a inovação é a essência da instituição. “A partir do momento que desenvolvemos uma solução, ela é entregue à cadeia de biogás e a nossa equipe busca trabalhar para melhorar o que foi entregue e/ou encontrar outras questões para solucionar. Essa é a nossa missão. Partindo deste princípio, entendemos que “pensar fora da caixa” é essencial quando temos que lidar com recursos, desenvolvimento de conhecimento e pesquisas… e esses são os nossos grandes desafios”.

Atualmente, o CIBiogás domina o conhecimento técnico das tecnologias existentes no mercado interno e de seus custos, e busca sempre aprimorar seu know-how por melhores performances e técnicas de aproveitamento total da biomassa, inclusive buscando parcerias nacionais e internacionais para aperfeiçoamento tecnológico e econômico.

Nos 8 anos do CIBiogás são os desafios que motivam o progresso. O presidente da instituição cita com orgulho a estruturação do Laboratório de Biogás, que neste ano completa uma década de atuação dedicada ao ensaio de biomassa, e que hoje analisa diariamente como fazer com que plantas de biogás performem cada vez melhor. “Recebemos amostras do mundo inteiro, e seguramente temos o maior banco de dados relacionados à produção e potencial de biogás do Brasil. Além de gerar esses dados, administrá-los de forma adequada, respeitando as características de cada região e cliente, e adaptando as soluções também é um grande desafio.” complementa.

As novidades do CIBiogás ainda para este ano são: linhas de crédito/financiamento destinadas ao produtor rural, grandes parcerias com municípios para utilização do biogás e biometano de aterros para produção energética, arranjos coletivos robustos para tornar cidades mais sustentáveis, com o desenvolvimento da bioeconomia regional e também a utilização do biometano em veículos pesados.

Para saber mais acesse: https://cibiogas.org/

Sobre Rafael Hernando Aguiar Gonzalez:

Engenheiro Ambiental e mestrando em Engenharia e Tecnologia Ambiental pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Há mais de 10 anos atua na captação e gestão de projetos na área de energias renováveis. Participou do desenvolvimento do Plano de Negócios e estruturação do Centro Internacional de Energias Renováveis, CIBiogás, em 2012. Em 2016 assumiu a Diretoria de Desenvolvimento Tecnológico e em 2020 assumiu a Diretoria Presidência do CIBiogás, conduzindo projetos estratégicos e consolidação empresarial. Atualmente é conselheiro da Associação Brasileira de Biogás (ABiogás) e do Conselho Diretivo do Projeto GEF/Brasil – Biogás (Aplicações do Biogás na Agroindústria Brasileira).

Sobre Felipe Marques:

Felipe Marques atua há mais de 10 anos no setor de biogás, com maior ênfase no desenvolvimento de arranjos tecnológicos e de negócios em energia e sustentabilidade no mercado brasileiro. No agronegócio participou de projetos com modelos inovadores, como condomínios de agroenergia, mobilidade a biometano, geração distribuída e microgrids. Esteve à frente da empresa Bioplan Biogás por três anos e atualmente é diretor de Desenvolvimento Tecnológico do Centro Internacional de Energias Renováveis – o CIBiogás. Doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional e Agronegócio pela UNIOESTE, cuja linha de pesquisa se objetiva no estudo das cadeias produtivas do biogás. Felipe é Engenheiro Ambiental, mestre em Geografia, Meio Ambiente e Desenvolvimento e possui MBA em Gerenciamento de Projetos.

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O contexto do Nexo Água-Energia-Alimentos no cenário do biogás e biometano

O contexto do Nexo Água-Energia-Alimentos no cenário do biogás e biometano

O aumento populacional previsto para os próximos anos tem elevado a preocupação dos países com relação ao meio ambiente e formas mais sustentáveis de ampliar as cidades. O relatório “Perspectivas da Urbanização Mundial” (World Urbanization Prospects), produzido pela Divisão das Nações Unidas para a População do Departamento dos Assuntos Econômicos e Sociais, da ONU (2019), aponta que a população global deverá chegar a 8,5 bilhões em 2030, 9,7 bilhões em 2050 e 10,9 bilhões em 2100, representando grandes desafios para a gestão das cidades.

De acordo com o relatório, há 100 anos, apenas 10% da população mundial vivia nas cidades. Hoje este índice é de 50% e tende a aumentar nos próximos anos, chegando a 75% até 2050. Esse cenário indica que três quartos da população mundial passarão a ocupar áreas que hoje são cobertas por vegetação, devastando matas para criar espaços diminutos de sobrevivência, possivelmente, utilizando recursos naturais sem restrição e poluindo o ar, o solo e as águas. Isso acarreta significativo crescimento na demanda por novas infraestruturas, elevação no consumo de energia e de água, além de outros problemas relacionados aos aspectos sociais e culturais, implicando em desafios ao poder público e privado, gestores ambientais e cidadãos. E neste contexto, o conceito de nexo alimento-água-energia se torna cada vez mais importante à medida que a natureza complexa e inter-relacionada desses recursos globais é compreendida e a necessidade de uma gestão mais coordenada desses ativos em todos os setores e escalas é cada vez mais evidente.

A água é necessária para a produção de quase todas as formas de energia. Para combustíveis primários, a água é utilizada na extração de recursos, irrigação de matérias primas para biocombustíveis, refino e processamento de combustíveis e transporte. Na geração de energia em usinas térmicas, por exemplo, a água fornece o resfriamento e outras necessidades relacionadas com o processo. No caso das hidroelétricas, os equipamentos aproveitam o movimento das águas para a produção de eletricidade.

Já a produção de alimentos está diretamente ligada ao consumo de água e energia e, se não houver uma boa gestão dos resíduos, acaba por poluir os corpos hídricos. Por isso a importância da abordagem desse nexo, identificando as possíveis sinergias entre esses 3 elementos.

A relação entre o NEXO e a Cadeia de Biogás

O biogás representa uma fonte de energia renovável e sustentável, sendo obtido a partir do tratamento de resíduos vegetais, animais, humanos e industriais, amplamente disponíveis em uma ou mais dessas formas em qualquer cidade. É composto principalmente por metano (CH4), que é 21 vezes mais poluente do que o dióxido de carbono (CO2) quando lançado na atmosfera. As emissões de CO2, que são liberadas na atmosfera durante a combustão do biogás e biometano, são iguais à quantidade de dióxido de carbono que é emitida durante a decomposição natural da matéria orgânica original. Com isso, o perfil negativo da intensidade do carbono aparece à medida que a purificação do biogás em biometano reduz o teor de CO2 e não será lançado na atmosfera, demonstrando seu elevado grau de descarbonização.

Além disso, os sistemas de geração de biogás têm potencial para transformar passivos ambientais em ativos econômicos, por meio da conversão em energia elétrica, térmica e para uso veicular, além de proporcionar maior segurança energética. Quando purificado, o biogás pode ser convertido em biometano, que pode auxiliar na diversificação da matriz energética em substituição aos combustíveis fósseis, principalmente para mobilidade urbana mais sustentável.

A transição para combustíveis de baixo carbono nos sistemas de transporte urbano parece ser inevitável. A dependência histórica de combustíveis fósseis como fonte primária de energia para a urbanização pós-industrial está sendo fortemente questionada, dada a disponibilidade cada vez menor de petróleo e as consequências sociais, econômicas e principalmente ambientais de seu uso generalizado.

Em 2019, as reservas de petróleo conhecidas no mundo atingiram 1,7 trilhão de barris, permanecendo no mesmo nível de 2018, com uma pequena queda de 0,1% (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis – ANP, 2020). O petróleo, embora finito, nunca se esgota inteiramente, pois sempre haverá uma quantidade que, por razões puramente econômicas, não será extraída. O conceito de “esgotamento” da reserva de petróleo se aplicaria à disponibilidade de petróleo a um preço viável em comparação com fontes alternativas de energia. Mesmo assim, considerando um consumo global em torno de 95 milhões de barris / dia (ANP, 2020), as reservas mundiais conhecidas/identificadas se esgotariam em cerca de 50 anos, demonstrando a necessidade de diversificação e substituição dessa fonte por fontes renováveis e mais sustentáveis.

As consequências ambientais diretas e indiretas da exploração e uso massivo de combustíveis fósseis tem sido um argumento cada vez mais importante na sociedade e a busca por fontes alternativas de energia com menor impacto tem levado diversos países a investirem recursos significativos, principalmente nas últimas três décadas. E nesse cenário o biogás e biometano se destacam, sendo uma fonte intrinsicamente relacionada ao nexo água-energia-alimentos e tendo diversos impactos positivos nas questões ambientais, econômicas, sociais e tecnológicas. Deve-se destacar os impactos positivos para o desenvolvimento social local, uma vez que o processo de produção de biogás e biometano constitui e sustenta uma cadeia produtiva relativamente complexa, exigindo mão de obra local especializada, apoio técnico e científico, e conscientização e empoderamento da população local relacionada aos processos.

Nesse contexto, o nexo água-energia-alimentos explora interfaces de vários setores e em várias escalas, levando em consideração as configurações locais, regionais e transfronteiriças e as compensações e sinergias criadas pelo uso competitivo de recursos e agendas políticas, exigindo coordenação intersetorial e transversal para a integração e gestão de recursos e governança ambiental.

Sobre Janaina Camile Pasqual Lofhagen:

Doutora em Gestão Urbana (PUCPR), com doutorado sanduíche na Universidade do Arizona (EUA). Pós Doutorado em Gestão Urbana na PUCPR e University of Central Florida (EUA). Mestre em Cadastro Técnico Multifinalitário e Gestão Territorial pela UFSC. Graduada em Relações Internacionais e em Administração de Empresas. Atuou como Supervisora de Negócios da Granja São Roque (primeira propriedade rural a gerar energia elétrica a partir do biogás dos dejetos de suínos, em SC). Foi consultora em Gestão Pedagógica da Fundação Parque Tecnológico Itaipu e do Centro Internacional de Energias Renováveis Biogás (CIBiogás), participando da estruturação e implantação de Cursos a Distância. Foi pesquisadora da Federação das Indústrias do Paraná (FIEP), atuando na análise de ambientes urbanos mais sustentáveis e fontes renováveis de energia. Foi consultora da UNIDO e atualmente é professora de Pós Graduação na PUCPR e UTFPR. Tem diversas parcerias nacionais e internacionais relacionadas a energias renováveis e smart cities, com foco na gestão urbana mais sustentável e mobilidade urbana sustentável.

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