dezembro 1, 2021

Inovação colaborativa em prol da Transição Energética

Inovação colaborativa em prol da Transição Energética

Idealizadora do Free Electrons, maior programa de inovação aberta do mundo no setor de energia, a Beta-i é uma consultoria global de inovação colaborativa. Chegou ao Brasil em meados de 2019 e trouxe toda a experiência alavancada pelo histórico de 10 anos no reconhecido ecossistema de startups e inovação de Lisboa.

Convidamos, Renata Ramalhosa, CEO e co-founder da Beta-i Brasil, para uma entrevista exclusiva para compartilhar sua visão e experiência sobre inovação aberta aplicada ao setor de energia, especialmente em relação à transição energética. Nossa especialista destaca também desafios e oportunidades para fazer o setor avançar com a inovação no Brasil.

Sabemos que a Beta-i é referência no mercado quando falamos em inovação colaborativa. Mas afinal, como ela é aplicada ao setor de energia?

“Conceitualmente falando, inovação colaborativa é um trabalho conjunto entre 2 ou mais organizações, podendo elas ser do setor privado ou do setor público, para resolver desafios de mercado, desafios de algum negócio ou projeto específico. E esta colaboração pode acontecer de diversas formas, podendo ser a conexão com startups, universidades, institutos e centros de P&D+I e chegando a envolver parceiros estratégicos, como clientes e fornecedores e até mesmo concorrentes.” destaca Renata Ramalhosa, CEO na Beta-i Brasil.

Dentro do setor de energia, a Beta-i destaca- se por 2 programas de inovação aberta, em formato de consórcio, que agrupa empresas do mesmo setor para alavancar o desenvolvimento tecnológico e a cultura da inovação.

Um deles é o programa Free Electrons, sendo considerado o maior programa de inovação aberta do setor de energia no mundo que conta com a participação de 10 empresas líderes atuantes em diferentes países como Dubai, Japão, China, Portugal, Alemanha, Singapura, Estados Unidos, Brasil, dentre outros. “As empresas compartilham das mesmas dores; dos mesmos desafios de mercado, mas que trazem consigo algumas especificidades culturais, regionais e regulatórias. Através do compartilhamento de experiência e troca de informações, juntas elas colaboram entre si para fomentar o desenvolvimento de soluções inovadoras para impulsionar o crescimento do setor de energia no mundo” ressalta. Ainda, a CEO na Beta-i Brasil, Renata Ramalhosa, complementa que programas como o Free Electrons, por serem complexos, exigem uma governança consolidada e transparente e códigos de conduta bem estruturados.

O outro programa que merece destaque é o Starter, um programa de inovação aberta do Grupo EDP, com presença em Portugal, Espanha, Estados Unidos e Brasil que pretende inovar entre as empresas do grupo atuantes ao redor do mundo. “Neste caso, o Grupo EDP já convidou empresas parceiras, inclusive de outros países, para colaborar no desenvolvimento de soluções conjuntas a partir de um determinado desafio” complementa Renata.

Demandas do setor de energia com inovação e colaboração

Um dos grandes diferenciais da Beta-i é fomentar o desenvolvimento de soluções inovadoras globais de forma colaborativa. E para isso, é necessário ouvir e interagir com o maior número de atores da cadeia para se poder mapear e validar desafios e oportunidades. Um exemplo disso é a campanha Collab Trends Edição Energia, lançada neste ano (2021), que visa saber como o setor pensa e planeja inovação, quais são os principais questionamentos e desafios das empresas.

Collab Trends Edição Energia é uma pesquisa aprofundada que vem sendo conduzida entre mais de 20 empresas líderes do setor de energia no Brasil e que coloca a inovação como ferramenta estratégica de desenvolvimento de novos negócios, de apoio à cultura, empreendedorismo e alavancagem do setor como um todo.

Quando se avalia os resultados da COP26 e os debates em torno da descarbonização fomentados a partir das políticas climáticas globais é difícil não pensar em colaboração para o atingimento das metas impostas. “É preciso pensar como ajudaremos países, especialmente aqueles de matriz energética de base fóssil, a descarbonizar. A inovação colaborativa surge para destravar esse desafio. Conecta organizações em prol de um propósito comum a favor da transição energética global” ressalta a CEO na Beta-i Brasil.

Atualmente, uma das principais oportunidades para se impulsionar a inovação aberta no setor de energia brasileiro pode estar na revisão da regulamentação da ANEEL que promete estender os benefícios de P&D à inovação tecnológica que envolve não somente a indústria, mas especialmente os ecossistemas de startups. “Na minha visão, a regulamentação poderá evoluir mais quando ela estiver operando de acordo com as demandas de mercado” salienta Renata.

O setor regulatório pode ser visto como um grande entrave para o impulsionamento de novas soluções inovadoras para o mercado de energia. Ao mesmo tempo que regulamentações modernas e menos burocráticas podem ser a grande chave para destravar o desenvolvimento do setor de energia brasileiro.

“Fazendo um comparativo com o mercado financeiro, observou-se que a liberalização do mercado por parte dos órgãos reguladores permitiu que empresas tradicionais inovassem mais desejando estarem cada vez mais próximas dos ecossistemas de inovação e consequentemente, incentivando o desenvolvimento de mais startups, que por sua vez, vêm dominando grande parcela do mercado, sendo muitas delas startups unicórnio (startups que possuem valor de mercado superior a bilhão de dólares).” comenta Renata.

Assim, acredita-se que para que o setor de energia brasileiro venha a ter sua primeira startup unicórnio é preciso disrupção tecnológica aliada à liberalização do mercado com regulações acessíveis, ágeis e menos burocráticas; e muita colaboração. “Para a Beta-i, Inovação é sempre feita em parceria, com colaboração” destaca a especialista convidada, Renata Ramalhosa.

Sobre Renata Ramalhosa:

No Brasil desde Julho de 2015, Renata Ramalhosa é a CEO e Co-fundadora da Beta-i Brasil, um grupo Europeu na área de inovação colaborativa com programas de inovação aberta e de aceleração corporativa. Renata faz também parte da comissão de inovação do IBGC – Instituto Brasileiro de Governança Corporativo e conselheira em empresas e start-ups.
A Renata veio para o Brasil como parte do serviço diplomático Britânico como Cônsul-Adjunta Britânica em São Paulo, Diretora para Comércio e Investimentos do Reino Unido para o Brasil e, desde 2017, passou a ocupar a posição de Diretora de Investimento para América Latina.
Renata começou sua carreira no mercado privado, trabalhando em setores ambientais de empresas como a Shell e Autosil, além de também prestar serviços de consultoria nas áreas de gestão ambiental.
Renata é formada em química analítica pela Universidade de Aveiro e bacharel em engenharia ambiental pela Universidade de Greenwich. Também possui mestrado em gestão ambiental e economia pela Imperial College London. Tem também vários cursos em gestão e liderança na Europa e América Latina; Renata foi recentemente condecorada pela Sua Majestade a Rainha Britânica com a Order of the British Empire (OBE) por sugestão do Her Majesty’s Government (HMG).

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